O clima quente de janeiro afetou a oferta de ovos, afirma o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/ USP, levando os preços a ficarem até 40% mais caros em algumas localidades. O forte calor no primeiro mês do ano ocasionou a morte de galinhas poedeiras mais velhas, e prejudicou a produção de ovos, que ficou mais escassa. A qualidade da casca e o tamanho dos ovos também foram afetados.
Ao mesmo tempo, a demanda nesta época do ano torna a ficar aquecida. Com a volta às aulas e o início da quaresma, o consumo do produto aumenta. Isso fez com que ovos tipo extra chegassem a faltar em algumas localidades pesquisadas pelo Cepea, e a ficar até 40% mais altos em alguns lugares. "Este período muito quente é desfavorável à produção. Com a mortalidade das aves, as ofertas ficam bem escassas e puxam os preços com a diminuição do consumo e a volta às aulas", explica a analista do Cepea, Regina Mazzini Rodrigues.
De acordo com ela, este cenário de alta está presente em todo o País. A produção do ovo extra tipo vermelho foi a mais afetada. "A galinha (que põe ovos vermelhos) é um pouco mais sensível e é mais afetada", esclarece Regina. Este tipo de ovo, segundo o Cepea, chegou a ter valorização de 40% na Grande São Paulo e em Belo Horizonte (MG) nas negociações que incluem a entrega do produto. Em Bastos (SP), o aumento foi de 30% para o ovo extra tipo vermelho para retirada na granja.
Segundo Cláudio Casagrande, presidente da Associação Paranaense de Avicultura (Apavi), os preços dos ovos no Paraná ficaram em torno de 30% mais caros, com a caixa saindo a R$ 70 para retirada. Ele confirma que, com as altas temperaturas, houve alta mortalidade de galinhas. O alto preço do milho e da soja para a alimentação das aves também inviabilizou a produção, e muitas delas foram enviadas para o abate prejudicando a produção de ovos.
Casagrande também observa que em dezembro houve uma grande queda nos preços dos ovos devido à baixa demanda do produto. Naquele mês, a caixa de ovos chegou a ser vendida, para retirada, a R$ 35. Isso, segundo ele, também contribuiu para que os preços dos ovos no início do ano tivesse uma alta elevação. "Em dezembro, houve férias escolares e o consumo caiu."
Para os próximos meses, conforme diz presidente da Apavi, a perspectiva é que os preços continuem crescendo para "pagar o prejuízo" na produção do início do ano. "Tem que subir ainda mais para pagar o custo. Deve subir mais uns 10%." O valor dos ovos também vai depender dos preços do milho e da soja. "A colheita está atrasada, e 68% dos custos vêm do milho."
Já, para Regina Rodrigues, do Cepea, as temperaturas mais amenas estão favorecendo a oferta de ovos, e a quaresma aumenta o consumo do produto. "É um período bom para vendas."

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