Oferta recua no setor sucroalcooleiro
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
O setor sucroalcooleiro foi marcado por reduções no volume de cana-de-açúcar moída e, consequentente, na oferta de açúcar e álcool em 2011 no Paraná. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) indicam que a oferta de açúcar sofreu redução de 4,3% em comparação a 2010, com volume de 2,89 milhões de toneladas. Mas o maior recuo ocorreu na oferta de álcool, que foi 11,2% inferior a 2010, tendo somado 1,43 bilhão de litros.
Em relação ao volume de cana moída, as usinas paranaenses fecharam o ano com 41,5 milhões de toneladas processadas, volume 4,2% inferior ao de 2010. ''Esse é o segundo menor volume em cinco anos'', revela o coordenador do setor sucroalcooleiro da Seab, Disonei Zampieri. A área plantada com cana no Paraná totalizou 645 mil hectares em 2011 e a primeira previsão para 2012 indica um crescimento de 1,2%, alcançando uma área de 652,8 mil hectares. No ranking nacional, o Paraná é o terceiro estado em produção de açúcar e o quinto em álcool.
Zampieri explica que desde 2007 há uma euforia pela ampliação do setor no País, e também no Paraná, que não se concretizou. Segundo ele, o crescimento registrado no Sudeste e Centro-Oeste, principalmente nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, resultou no afastamento do Paraná da segunda colocação nacional, que tradicionalmente ocupava. ''O investimento em renovação e ampliação dos canaviais foi insuficiente. O clima também prejudicou a cultura, mas os investimentos poderiam ter sido feitos paulatinamente ao longo dos anos'', avalia o coordenador.
As perspectivas para 2012, segundo Zampieri, são de manutenção do quadro. ''O ciclo da lavoura é semiperene e a expectativa é de uma certa estabilidade para o setor em médio prazo'', argumenta. O coordenador do setor sucroalcooleiro da Seab afirma que o mercado terá cerca de dois anos para planejar ações que melhorem o cenário da produção nacional ainda em 2013.
Exportações
Na hora de exportar, as indústrias optaram pelo açúcar em substituição ao álcool em 2011. A exportação de açúcar teve acréscimo de 4,5% no ano em comparação a 2010 e os produtores paranaenses comercializaram um total de 2,3 milhões de toneladas no mercado internacional. Em contrapartida, as exportações paranaenses de álcool sofreram redução significativa de 44,02% em relação ao ano passado, totalizando 209,7 milhões de litros.
Zampieri afirma que, entre janeiro e novembro do ano passado, o açúcar sofreu valorização de 33% em comparação a 2010, sendo comercializado a US$ 539,59 a tonelada em Paranaguá. O álcool também teve os preços aumentados em 32%, chegando a 0,841 por litro no período. Segundo ele, desde 2007 grandes produtores e exportadores como a Índia têm enfrentado problemas climáticos sérios que interferiram na produção. ''O fornecimento desses mercados foi ocupado pelo Brasil. Por conta da remuneração superior e para cumprir contratos de comercialização, os produtores foram se inclinando para o açúcar'', esclarece.
Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o total de exportações de açúcar feitas através do Porto de Paranaguá no período de janeiro a novembro de 2011 foi de 4,3 milhões de toneladas. O volume sofreu leve variação em comparação as 4,1 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2010. Em todo o País, as exportações de açúcar somaram 23,5 milhões de toneladas de janeiro a novembro do ano passado. No ranking nacional de portos, Paranaguá ocupa a segunda colocação entre os que mais exportam açúcar no País, atrás apenas de Santos.


