O preço do ovo pago aos produtores paranaenses registrou um aumento na semana passada em relação à anterior. O valor médio contabilizado pela caixa com 30 dúzias fechou em R$ 63,25, entre os dias 13 e 17 de julho, contra R$ 58,58/caixa no período de 6 a 10 de julho. Na média de junho, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), o preço da caixa ficou em R$ 62,57, ante R$ 59,73 em relação ao mesmo período do ano passado.
Roberto de Andrade Silva, veterinário do Deral, explica que no inverno há uma tendência de aumento no consumo de ovos. Isso se deve ao fato de o produto ser mais barato em relação a outras fontes de proteína, como a carne bovina. Combinado a isso, a produção nessa época do ano é menor porque no frio as matrizes produzem menos. Outro fator que reduz a produção nesta época do ano é o curto período de tempo de luz, já que os dias são mais curtos.
O especialista do Deral afirma que o aumento no consumo nesta época do ano não está relacionado apenas à aquisição do produto in natura, mas também de seus derivados como: bolachas, biscoitos, bolos, entre outros produtos. Contudo, alerta Silva, nem tudo são flores nesse mercado. Ele afirma que os custos de produção têm aumentado, principalmente por causa da alta no preço da energia elétrica, medicamentos veterinários e demais insumos.
Os altos custos desses insumos se explicam porque a maioria é importada, por isso é pago em dólar. Com a elevação contínua da moeda norte-americana frente o dólar, produtos utilizados no dia a dia do produtor de ovo têm ficado cada vez mais caros. Tirone Fidelis da Silva, gerente regional da Granja Marutani, localizada em Arapongas (Norte), afirma que mesmo com o aumento nos preços dos ovos pagos ao produtor, ainda é insuficiente para cobrir os custos de produção da granja.
Além dos insumos importados, o gerente frisa que a mão de obra também está mais cara neste ano. E o milho, uma das principais matérias-primas utilizadas na composição da ração dos animais, que tinha registrado queda nos últimos meses, voltou a subir. "Com isso, os granjeiros estão trabalhando no vermelho", lamenta Silva. Contudo, o gerente da granja frisa que a atual conjuntura econômica no País não permite grandes ajustes de preços nos ovos para o consumidor final.
Porém, ele observa que a crise pode ser uma oportunidade para a avicultura de postura crescer. Segundo Silva, o ovo é um alimento mais barato se comparado a uma carne de boi ou porco, "por isso a avicultura de postura vai sobreviver a essa crise", acredita. Ao todo, a Granja Marutani coleta 315 mil ovos por dia com um plantel de 350 mil aves.

Consumidor

O valor do ovo no atacado fechou em junho deste ano em R$ 68,25 a caixa, ante R$ 67,11 contabilizado em junho de 2014. No varejo, a variação de preços foi menor. Em junho deste ano o valor médio da dúzia chegou a R$ 3,84, ante R$ 3,76 a dúzia no comparativo com o mesmo período do ano passado.
O Paraná é o segundo maior produtor de ovos do Brasil, só perdendo para São Paulo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013 o Estado produziu 373.979 milhões de dúzias de ovos. Naquele mesmo ano, o País produziu 3.619.217 milhões de dúzias.

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