Guto Rocha
Os problemas climáticos que as lavouras de milho safrinha enfretam e o quadro apertado de ofertas do grão devem levar o País a importar mais grão este ano. O presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina , Nagib Abudi Filho, a quebra da safrinha no Brasil deve chegar a 30%. Com isso, os preços no mercado interno devem atingir a paridade com o produto importado.
Abudi estima que o Brasil terá um déficit a partir de setembro da ordem de 3 milhões de toneladas. Ele observa que a pequena oferta no mercado interno deverá provocar uma corrida dos compradores para adquirirem o grão, esvaziando rapidamente o mercado. ‘‘Quando chegar outubro todos vão ter de importar, desde pequenos granjeiros até as grandes indústrias’’, observou.
O presidente da bolsa observou que a indústria e os granjeiros terão de buscar milho na Argentina e nos Estados Unidos. Abudi observou que o mercado argentino tem um estoque de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas para exportar. A saca de 60 kg do produto argentino chega hoje ao mercado interno cotada a US$ 7,70 (R$ 13,86, considerando-se o dólar comercial de R$ 1,80 ontem em Londrina). Abudi destaca que por estar no Mercosul, o milho argentino está isento de taxas de importação. Já o milho importado dos Estados Unidos chega ao Brasil valendo US$ 8,20 (R$ 14,76).
Abudi observa que no mercado interno, os preços do milho devem atingir a paridade com o produto importado, podendo ficar entre R$ 13,50 e R$ 14,00 a saca de 60 kg. ‘‘Quem não tem dívidas e tem estrutura para armazenar a colheita da safrinha pode conseguir bons preços a partir de outubro’’, comentou.

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