Oferta escassa pode encarecer imóveis
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sábado, 04 de julho de 1998
Vânia Casado 
As medidas do governo anunciadas esta semana para apoiar a construção civil poderão ter efeito contrário ao pretendido e não deverão gerar novos empregos. Pior, em dois anos poderá faltar imóveis para a venda, com prejuízo para o mutuário - que terá crédito, mas enfrenterá a escassez de oferta. Esse poderá ser o resultado da decisão da Caixa Econômica Federal de financiar apenas o comprador final do imóvel, alerta o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon), Erlon Rotta Ribeiro.
Albari RosaProdução lentaAté 95, construção civil colocava no mercado de Curitiba a média de 900 mil metros quadrados de imóveis residenciais. Este ano, o número limitou-se a 650 mil metros quadradosPara Ribeiro, se o governo não atender a reivindicação das construtoras de criar uma linha de crédito específica para financiar a produção, certamente os preços dos imóveis vão subir com a escassez da oferta. Conforme avaliação do Sinduscon, as medidas anunciadas pelo governo não vão gerar o número de empregos pretendidos. Isso porque quem mantém a oferta de empregos na construção civil é o financiamento à produção e não ao tomador final, afirma.
Segundo Ribeiro, só as construtoras têm capacidade para alavancar a indústria da construção civil com colocação de novas unidades no mercado de forma continuada. Ele explica que as construtoras estão sem receber financiamento direto da Caixa Econômica Federal há três anos e meio, provocando a queda na colocação de imóveis novos no mercado. Até 1995, as construtoras colocavam em média de 900 mil a um milhão de metros quadrados em imóveis residenciais no mercado em Curitiba. Esse ano, esse número desabou para cerca de 650 mil metros quadrados, em função da falta de financiamento. E a tendência é cair ainda mais essa produção, com graves reflexos também sobre a cadeia produtiva, representada basicamente por empresas nacionais, fornecedoras dos insumos para a construção civil.
Com a falta de financiamentos, as construtoras estão passando por um período difícil com o crédito caro, admite Ribeiro. Entre as medidas anunciadas pelo governo para reativar a construção civil, ele reconhece como positivas a queda dos juros, que caíram a 10,5% ao ano, o aumento no limite do valor financiado e as ações que flexibilizam as cartas de crédito.
Outra medida criticada por Ribeiro, é o condicionamento de crédito direto para as construtoras. Essa medida é praticamente inviável porque as construtoras não conseguem mais vender imóveis na planta, depois do caso Encol, destaca o empresário. Segundo ele, com a demanda caracterizada, as construtoras são obrigadas a vender pelo menos 50% do projeto de construção na planta. Os mutuários começam a pagar as parcelas do financiamento na Caixa, para depois receberem o imóvel, que normalmente demora entre 2,5 anos e 3 anos. Com essa falta de dinheiro no mercado, é utopia imaginar que o mutuário vai pagar as parcelas sem receber o imóvel e ao mesmo tempo pagar um aluguel, até a entrega das chaves.
Segundo Ribeiro, o consumidor só aceita comprar o imóvel semipronto, que esteja prestes a ser concluído. Enquanto a Caixa Econômica não mudar os critérios de liberação do crédito, as construtoras têm como alternativa o crédito de agentes financeiros privados, ele diz. Mas eles são insuficientes para atender todo o volume necessário para a construção de novas unidades, afirma.


