São Paulo - Participar da oferta de ações que o Banco do Brasil fará neste mês pode ser uma boa opção de investimento para pessoas físicas, mas é preciso se conscientizar que há riscos em investimentos com ações. O alerta foi feito ontem pelo professor de Finanças do Ibmec, Ricardo José de Almeida. Para o professor, o BB é ‘‘um banco que tem forte foco em credito agrícola em operações de varejo para crédito direto ao consumidor e micro e pequenas empresas. E essas operações são tradicionalmente mais arriscadas’’.
  Almeida pondera que o quadro atual é positivo para a valorização das ações do Banco do Brasil, com expectativa que o preço das commodities continue em alta e de que ainda há um déficit de consumo pela população que permite prever avanços na concessão de crédito. ‘‘O indicador está atrativo, mas a pessoa tem que se conscientizar que há riscos de essas informações se reverterem no futuro. É isso que a pessoa deve acompanhar, caso queira entrar (na oferta do BB)’’.
  Ao comentar sobre a frustração dos investidores brasileiros nos últimos lançamentos de ações, principalmente da BM&F, por não terem conseguido aplicar tudo o que haviam reservado, perdendo espaço para estrangeiros, o professor do Ibmec avaliou ser normal que uma empresa procure investidores com análises mais sofisticadas que a ajudem em seu processo de governança corporativa.
  ‘‘Quem são esses investidores? São os institucionais, que têm uma equipe de análise, que utilizam análises técnicas financeiras para avaliar o desempenho da empresa e isso é possibilitado pelos investidores institucionais. Os investidores de pessoas físicas tradicionalmente não têm estas sofisticadas técnicas e, portanto, não tendem a atribuir um preço para a ação que seja próximo do preço ideal dela’’, comentou Almeida. ‘‘É muito risco para uma empresa se concentrar em investidores de pessoas físicas, porque o preço da ação pode oscilar sem um parâmetro tão justo. Isso pode prejudicar as próximas captações que a empresa vai ter’’
  No caso específico da oferta do BB, o professor do Ibmec acredita que brasileiros devem ter mais chances. ‘‘O percentual da oferta destinado a investidores de varejo é muito maior. E também não está havendo tanta expectativa quanto havia para a Bovespa e para a BM&F’’, disse.
  ‘‘A reserva de ação não é a garantia que o valor reservado será totalmente investido, porque a demanda pode superar a oferta de ações. Então nós teremos uma divisão. Nem todos recebem tudo o que querem. Haverá o que se chama de rateio’’. Sobre os passos a serem seguidos pelos potenciais investidores, o professor listou duas opções. Na primeira, a pessoa envia dinheiro para um fundo de investimentos em ações especial do Banco do Brasil, o que é permitido neste caso. ‘‘O capital inicial é bem mais baixo do que é o necessário para a compra direta. A compra direta ela tem capital mínimo de R$ 1 mil, enquanto que um investimento no fundo de investimento gira em torno
de R$ 250, no mínimo’’. A outra opção é a pessoa fazer uma compra direta, mas para isso ela precisa se cadastrar numa corretora que a permita fazer a reserva, passando por um trâmite burocrático.

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