Oferta derruba preço do etanol em 5% nas usinas
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segunda-feira, 02 de março de 2015
Gustavo Porto e José Roberto Gomes <br>Agência Estado 
São Paulo e Ribeirão Preto - O valor do etanol hidratado recuou 5% nas usinas de São Paulo em fevereiro, mesmo com o cenário favorável ao aumento do preço do combustível, com a alta de R$ 0,22 por litro no preço da gasolina - causada pela reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS/Cofins - e com o pico da entressafra de cana-de-açúcar, ou seja, sem produção de álcool.
A queda nos preços, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, ocorreu por fatores que causaram o aumento da oferta do combustível. Entre eles estão a busca pela redução de estoques, a necessidade de liquidez financeira e ainda operações de hidratação do etanol em unidades que esperaram, sem sucesso, o aumento na mistura do anidro à gasolina.
Por ter paridade econômica de até 70% do valor da gasolina, esperava-se que o preço do etanol hidratado subisse nas usinas, em linha com a valorização do combustível derivado de petróleo. Mas as expectativas do setor foram frustradas. Nas unidades produtoras de São Paulo, maior mercado do País, o preço do etanol começou fevereiro cotado em R$ 1,3872, o litro, em média, e encerrou o mês em R$ 1,3174, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).
De acordo com Mirian Bacchi, coordenadora da equipe de pesquisadores do Cepea/Esalq/USP, o problema no mercado de etanol foi a oferta das usinas e não a demanda nos postos, que cresce constantemente se comparados iguais períodos dos anos.
Além disso, segundo ela, há a questão de mercado. Com a proximidade da nova safra de cana e com cinco usinas já processando no Centro-Sul para o período 2015/16, as distribuidoras se retraem e compram o mínimo necessário de etanol à espera de novas quedas de preço. "As distribuidoras sabem que a cada semana poderão ter preços menores. Além disso, as usinas têm de liberar tanques para colocar álcool novo", disse Mirian.
Para o diretor de uma grande trading comercializadora de álcool, muitas usinas ampliaram os estoques de anidro no fim do ano passado à espera da demanda que o aumento da mistura deste tipo de etanol na gasolina, de 25% para até 27,5%, traria. Mas com a série de adiamentos da medida por parte do governo, as companhias foram obrigadas a "molhar" (reprocessar) o anidro e a vendê-lo como hidratado, o que acabou por aumentar a oferta do álcool utilizado diretamente nos tanques dos veículos.


