Oferta de internet via satélite cresce com foco nas áreas rurais
Embora tecnologia represente apenas 1% de todos os acessos à internet no País, empresas apostam na oferta do serviço em regiões desatendidas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
Embora tecnologia represente apenas 1% de todos os acessos à internet no País, empresas apostam na oferta do serviço em regiões desatendidas
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
O número de acessos pela internet via satélite vem crescendo de 2017 para cá. Três anos atrás, havia apenas 80.755 acessos desse tipo. Em julho de 2020, o número saltou para 335.129, um crescimento de 315%. No último ano (julho de 2019 a julho de 2020), o número de acessos pela internet via satélite cresceu 41,3%. Os dados são da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
Mesmo assim, esse tipo de tecnologia corresponde a apenas 1% do total de acessos à internet banda larga fixa no Brasil (34,2 milhões).

A oferta do serviço para residências no País é relativamente nova no País. Um dos players do segmento, a Viasat iniciou a oferta de internet residencial no Paraná em julho deste ano. O Estado é um dos oito da primeira fase de lançamento do serviço no País. Atualmente, a Viasat possui acordo com a Telebras para comercializar o uso do satélite SGDC-1, mas pretende trazer ao País a capacidade de uma constelação de outros três satélites (ViaSat-3). O primeiro, destinado às Américas, será lançado em 2021.
A Hughes do Brasil, subsidiária da Hughes Network Systems LCC, iniciou a operação da HughesNet, serviço de internet via satélite para o consumidor final, há quatro anos no País e tem cobertura de 100% do território paranaense. Com três satélites próprios em operação, a companhia deve lançar o quarto, o Jupiter 3, em 2021.
O foco é nas áreas rurais, onde a internet convencional, via cabos, rádio ou fibra ótica, não chega. "A nossa cobertura é muito grande, porém nossa área de atuação nem tanto. Quando se fala em áreas urbanas, não temos competitividade. O custo de tecnologia é mais alto e também operamos com modelo de franquia de dados", explica Humberto Grote, vice-presidente de Vendas e Marketing da Hughes no Brasil.
CUSTO X OFERTA

Devido ao alto custo da tecnologia e ao tempo que leva para lançar um satélite em órbita (cerca de quatro anos), a internet que chega às residências não oferece a mesma experiência dos usuários nas áreas urbanas. Porém, é uma opção para cerca de 55% das casas brasileiras, afirma o diretor comercial da Viasat Brasil, Bruno Henriques. "45 milhões das 70 milhões de residências do País não têm internet. Estas pessoas são o nosso público-alvo. No Paraná, 32% das residências não têm internet em sua casas", ele completa.
Com o lançamento de novos satélites, no entanto, as prestadoras garantem velocidades dez vezes maiores.
A velocidade dos planos oferecidos hoje variam na faixa de 10 Mbps a 20 Mbps, velocidade suficiente para realizar atividades do dia a dia, como acessar sites de notícias e redes sociais, enviar e-mails e assistir a vídeos. Os planos possuem franquias de 40 GB a 80 GB com preços nas faixas de R$ 200 a R$ 400 a mensalidade. As empresas oferecem preços promocionais nos primeiros meses e há taxas de adesão.
POTENCIAL
Para Grote, da Hughes, existe um grande potencial do crescimento da internet via satélite no Brasil devido ao aumento da oferta de capacidade à vocação do País para o agronegócio e ao movimento de procura de propriedades mais ao interior para trabalhar e morar. No Paraná, ele estima que sejam realizadas cerca de 1.500 vendas por mês. "A área que chamamos de 'consumer' é uma área que tem pela frente uma expectativa muito grande. Isso tende a crescer bastante à medida que as empresas começarem a definir novos modelos de trabalho em que você não precisa trabalhar presencialmente mais que um dia na semana."
Possibilidades de aplicação da tecnologia também aumentam
A internet via satélite possui limitações tecnológicas, segundo explica o engenheiro de comunicações Raul Colcher, membro do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE) e sócio-presidente da Questera Consulting. "A internet via satélite tem algumas limitações, principalmente em relação à latência. Até bem recentemente, a internet via satélite era uma opção de último recurso, reservada para regiões remotas onde não tinha infraestrutura e não havia muita alternativa."
O cenário, no entanto, vem mudando. A tecnologia de satélites está evoluindo e reduzindo a latência, favorecendo aplicações em que esse fator é importante, como a Internet das coisas (Internet of Things - IoT).
A internet via satélite também vem sendo utilizada de forma complementar a outras tecnologias, como o 5G, afirma Colcher. "Aquela coisa de tecnologia de último recurso está deixando de ser verdade e a internet via satélite está se tornando competitiva não só porque está mais barata, mas também porque está se tornando mais competitiva na latência, velocidade, e começando a entrar em novas aplicações."
O País tem competitividade na internet via satélite por ser um dos poucos países do mundo que tem, em sua matriz de telecomunicações, satélites domésticos, destaca o engenheiro de comunicações.



