A projeção de um aumento significativo na demanda de gás natural no Paraná nos próximos anos ligou o sinal de alerta da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e da Companhia Paranaense de Gás (Compagás). Ontem, as duas entidades - juntamente com as Federações Indústriais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul (Fiesc e Fiergs) - assinaram em Curitiba um manifesto conjunto requisitanto ao Governo Federal mais investimentos na logística de distribuição do produto no Sul do País. Na reunião, foram definadas ações consideradas urgentes para garantir a ampliação do abastecimento de gás nos três estados.
De acordo com levantamento da Compagás, o Paraná consome por volta de 1,042 milhão de metros cúbicos diários de gás, mas com a expectativa de atingir dois milhões em 2013 e quatro milhões em 2014. ''O aumento da demanda no mercado futuro é inevitável. Temos a capacidade de ampliar o abastecimento em 450 mil metros cúbicos este ano e cumprir com os nossos contratos até 2013. Entretanto, já precisamos projetar alternativas para o futuro'', explicou Luciano Pizatto, presidente da Compagás.
A ideia de reunir os três estados do Sul foi no sentido de ganhar mais força política frente às reivindicações junto ao Governo Federal. Pizatto comentou que o governador Beto Richa sentou com os governadores dos outros dois estados ''para resolver as divergências políticas entre eles''.
Edson Campgnolo, presidente da Fiep, confirmou que o momento é de preocupação e que a entidade está com o ''sinal amarelo ligado''. Ele ressaltou que os três estados logo não terão a demanda suprida. ''Hoje, já existem empresas buscando alternativas para o gás natural. Temos que pensar nas indústrias que estão instaladas por aqui e também nas que estão em processo de decisão de escolher o Paraná, pois este pode ser um motivo para elas optarem por outros estados'', advertiu.
Pensando na solução do problema, as entidades criaram um grupo de trabalho para estudar medidas a serem adotadas. Uma das alternativas discutidas no evento seria a construção de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) em algum porto da região Sul. Outras seriam aumentar a pressão do gasoduto Brasil Bolivia (Gasbol), que passaria para três milhões de metros cúbicos diários (50% a mais do que é ofertado hoje) e a exploração de novas reservas no litoral da região. ''Certamente precisaremos de parcerias público-privadas para otimizar estes trabalhos'', complementou Campagnolo. A principal demanda de gás atualmente é da indústria de cerâmica, que em 2010 consumiu 89% do insumo que entrou no Estado.

mockup