O mercado está trabalhando com uma quebra de 15% a 20% para o feijão preto. As chuvas prejudicam as lavouras que estão em fase de colheita e também as recém-instaladas. Na região Centro Sul, onde predomina o feijão preto, os produtores perderam o primeiro plantio com o apodrecimento do grão em função do excesso de umidade. Além de descapitalizados eles estão temerosos em plantar novamente diante da indefinição do tempo, afirmou Luiz Antonio Andreazza, cerealista da região de Irati.
Já o preço de feijão de cor está calmo e o mercado nacional é abastecido pela região Nordeste o que elimina a pressão sobre a produção paranaense, afirmou o cerealista Cícero Malucelli, da corretora Malucelli. O corretor admite que já se fala em perdas na região extremo-Oeste do Estado mas salientou que ainda é muito cedo para falar em perda de safra. Ele concorda com o diretor do Deral, Norberto Ortigara, que os prejuízos com o feijão de cor só serão evidentes mais tarde quando acabar a produção do Nordeste e o mercado se voltar ao Paraná.
Andreazza calcula que na região Centro-Sul pelo menos 80% das lavouras de feijão preto nos municípios de Irati, Mallet e São Mateus do Sul foram afetadas pelas chuvas. Normalmente, a produção dessa região atinge 370 mil sacas e pelo menos 40% desse total está perdido, garante. Esse percentual poderá ser revertido se houver replantio, acrescentou. Em função disso ele prevê que a complicação maior quanto ao abastecimento vai ocorrer a partir de janeiro, quando se deve agravar o quadro de escassez.
Segundo o cerealista, a falta de feijão preto é geral também em outros Estados da federação. E o mercado que se abastece de importações da Argentina não tem onde recorrer porque a safra se esgotou também naquele país. O cerealista Paulo de Tarso Maranhão, da Cerealista Paiol, disse que este ano o feijão preto foi importado da Argentina, China, Chile e até dos EUA.
Preço Essa escassez já está refletindo nas cotações do produto que aumentou de R$ 40,00 a saca para R$ 45,00 nos últimos 15 dias. Na avaliação de Andreazza o mercado consumidor (praça do Rio de Janeiro) está calmo, o que justifica a falta de pressão sobre o setor produtivo. Se o mercado estourar já se fala inclusive em importar feijão dos EUA para completar o abastecimento. Normalmente se fala em importação no segundo semestre e se as perdas se agravarem este ano, as importações poderão ser acionadas a partir de maio de 98.
Os cerealistas estão com a atenção voltada para a região Centro-Sul do Paraná, principal fornecedora de feijão preto para o País, apesar de o consumo representar apenas 10% do mercado nacional. Ocorre que a importância dos consumidores concentrados nas praças do Rio de Janeiro e Porto Alegre justifica essa preocupação.

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