Oferta de empregos sinaliza fim da crise
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A crise financeira começa a dar os primeiros sinais de enfraquecimento com o início das contratações na indústria. O setor deve criar novas vagas no segundo semestre. Isso porque há uma concentração da produção entre os meses de julho e outubro com foco no Natal. Os segmentos que mais devem abrir postos de trabalho são o automotivo, a construção civil e a de bens duráveis como máquinas e equipamentos.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, estima a criação de cerca de 5 mil vagas em 2009, garantido que o ano feche com saldo positivo, mas em patamar bem abaixo do ano passado. Em 2008, a indústria gerou 21.797 empregos. ''Se ficar nisso, é um bom patamar'', afirmou ele. O setores apontados com prováveis geradores de vagas, na avaliação do técnico do Dieese, estão sendo privilegiados com financiamentos e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Na semana passada, a montadora Renault, localizada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, anunciou a contratação de 600 novos funcionários. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, o bom momento do setor é refletido nas horas extras que os metalúrgicos começaram a fazer e nas novas contratações. ''A Volkswagen comprou todos os sábados dos trabalhadores até o final de novembro'', destacou o sindicalista.
Os fornecedores das montadoras e o setor metalmecânico tiveram diminuição das demissões depois de cortar 5.550 funcionários em Curitiba e Região Metropolitana desde o início da crise em setembro do ano passado. ''No primeiro semestre deste ano pararam as demissões'', disse o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal), Roberto Karam.
Para o segundo semestre, ele prevê estabilização na produção e nos empregos, mas acredita em uma retomada mais consistente a partir de março de 2010. A sua estimativa é que o setor gere 2 mil empregos neste ano em Curitiba e Região. Segundo Karam, a retomada também está muito entrelaçada com a recuperação dos países da chamada ''Zona do Euro'', dos Estados Unidos e do Japão.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que no primeiro semestre deste ano a indústria do Paraná abriu 5.281 vagas, o que representou um crescimento de 0,88%. Estes números ainda estão abaixo do mesmo período do ano passado quando foram criados 38.689 empregos na indústria com elevação do nível de emprego de +6,80% . No entanto, ele comemora o indicador positivo de 2009.
No primeiro semestre, o setor industrial que mais contratou foi alimentação e bebidas com 12 mil vagas. As demissões ocorreram principalmente nos segmentos de madeira e mobiliário (-2.427 vagas), material de transporte (-1.652 vagas), metalúrgica (-990 vagas), material eletroeletrônico (-866 vagas) e mecânica (-658 vagas).
No ano passado, foram geradas um total de 110.903 empregos no Paraná em todos os setores. No primeiro semestre de 2009 foram 40.511 vagas e o ano deve fechar com 40 mil a 50 mil novos postos de trabalho, segundo previsão do Dieese.
Os setores que mais contrataram no primeiro semestre do ano foram serviços com crescimento de 2,77% e 20.762 vagas, construção civil com elevação de 4,63% e 5.019 vagas, agricultura com percentual de 3,16% e 3.717 vagas e o comércio que teve um aumento do nível de emprego de 0,86% com a geração de 4.333 postos. ''Para um cenário de crise, o Paraná está com bom desempenho'', disse Cordeiro.
Otimismo
Cerca de 23,2% das 1.115 indústrias consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em julho pretende ampliar as contratações até setembro, enquanto 15,3% delas planejam demitir. Em dezembro, no auge da crise, a situação era inversa: 32,5% planejavam cortes e 15,5%, contratações.
ENTENDA O ECONOMÊS
Bens duráveis - Categoria de bens que têm utilidade durante um grande período de tempo, abrangendo, portanto, os bens de consumo duráveis e os bens de capital. As indústrias que produzem bens duráveis são muito mais afetadas pelas crises econômicas do que as que se dedicam aos bens não-duráveis. Sua expansão é de tal modo condicionada pela expansão do consumo conforme princípio da aceleração que qualquer queda ou simples nivelamento na procura dos bens não-duráveis implica violenta queda na produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis.


