Oferta de crédito deve aumentar em breve
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quinta-feira, 21 de agosto de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A redução do recolhimento compulsório de 60% para 45%, determinada há cerca de duas semamas pelo Banco Central, aliada à queda em 2,5% da taxa Selic, os juros básicos da economia do País, definida anteontem pelo Comitê de Política Monetária, deve finalmente se refletir em aumento da oferta de crédito pelos bancos, tanto para pessoas físicas como jurídicas. A hipótese foi levantada ontem pelo presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o economista Miguel José Ribeiro de Oliveira.
O recolhimento compulsório obriga os bancos a destinarem, hoje, 45% de todos os depósitos bancários feitos à vista para o BC. Esse dinheiro é utilizado pelo Banco Central para a cobertura do déficit orçamentário interno da União, e na prática, retira volume financeiro do mercado, diminuindo principalmente a oferta de crédito. Há duas semanas, porém, o BC reduziu a incidência dos compulsórios em 15% (chegando aos 45% atuais), o que implicaria em aumento de cerca de R$ 8,5 bilhões no volume de dinheiro disponível para movimentações financieiras dos bancos, facilitando o pagamento de investimentos e aumentando a oferta de crédito.
A eficácia da medida para o aumento de crédito, porém, foi contestada na ocasião por economistas e banqueiros, pois os bancos ainda teriam a opção de usar o excedente disponível na compra de títulos de dívida pública, que fazem seus pagamentos vinculados à Selic.
No entanto, com a redução da taxa básica de juros, o lucro com a compra de títulos como os do Tesouro Nacional ficaria comprometido, o que forçaria os bancos a buscarem rentabilidade com o aumento da oferta de crédito. Como consequência, o custo do dinheiro para empréstimos baixaria. ''É praxe do mercado: os bancos só liberam crédito para empréstimos quando as taxas de pagamento de títulos de dívida pública não são vantajosas. Só assim eles irão buscar rentabilidade nos empréstimos'', explica o economista, completando: ''Porém, mais importante para a economia é o efeito psicológico da redução da Selic para o mercado. Com mais otimismo, o consumidor passa a gastar mais, reestimulando o comércio interno.''
A redução dos juros também deve trazer outras consequências positivas para o mercado interno, segundo Rodrigues. De acordo com ele, o baixo custo do dinheiro para os tomadores facilita a captação de recursos utilizados como capital de giro, além de criar condições para que a indústria se desenvolva, diminuindo as possibilidades de inflação devido à baixa oferta. ''O processo se torna um círculo vicioso: a redução da Selic, aliada a outros fatores, ajuda a aumentar a demanda interna, o que favorece o desenvolvimento das indústrias, que por sua vez podem modernizar suas linhas de produção, aumentando a oferta''.
O presidente da Anefac faz uma avaliação positiva do cenário econômico do Brasil a partir de 2004. ''A melhora da competitividade do País no comércio exterior, a redução dos custos de produção, o aumento dos investimentos e a diminuição da inadimplência são algumas consequências que poderão trazer surpresas positivas principalmente a partir do ano que vem''.


