Oferta de cana-de-açúcar permanece restrita em 2012
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
A oferta de cana-de-açúcar deve continuar reduzida na safra 2012/13. A expectativa é de que o abastecimento do produto permaneça restrito para atender a crescente demanda nacional, como já registrado em 2011. A estimativa da consultoria Datagro, especializada no setor, é de que a oferta para moagem totalize entre 460 milhões e 515 milhões de toneladas na região Centro-Sul do País na próxima safra.
A projeção para a atual safra é de que 490 milhões de toneladas sejam produzidas na região, responsável por aproximadamente 60% da produção nacional. ''Se tivermos piores condições climáticas, podemos ter um número menor do que o deste ano. A demanda por açúcar e álcool vai continuar sob pressão'', ressalta Plínio Nastari, presidente da Datagro. Levantamento da consultoria aponta que a demanda mundial por etanol cresce 13% ao ano e a de açúcar, 12% ao ano.
Entre os fatores responsáveis pela retração observada nas lavouras está a crise financeira de 2008, que descapitalizou empresas e agricultores do setor, a consequente falta de investimento em produtividade e na renovação dos canaviais, e os problemas climáticos ocorridos nas principais regiões produtoras do País. Segundo informações da Datagro, a idade média dos canaviais na safra 2011/12 foi de 3,8 anos, enquanto o ideal seria uma idade de 2,7 anos.
O último acompanhamento da safra realizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), mostra um recuo de 17,60% entre a moagem registrada em outubro de 2011 (46,43 milhões de toneladas) e a outubro de 2010 (56,35 milhões de toneladas). A redução da produtividade dos canaviais da região Centro-Sul atingiu a marca de 17,40% no acumulado de abril até outubro deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, de abril a outubro, a produção de etanol anidro totalizou 7,49 bilhões de litros, enquanto a de açúcar chegou a 29,23 milhões de toneladas.
Já para o superintendente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, a situação não é tão alarmante. Segundo ele, há uma certa tranquilidade quanto aos estoques da atual safra, que garantem o abastecimento do mercado consumidor. Em relação à safra 2012/13, Dias afirma que o cenário deve ser semelhante ao vivenciado em 2011/12. ''Até 1º de novembro, o volume industrializado no Centro-Sul foi de 459.563 milhões de toneladas. Isso nos dá segurança quanto à produção, que deve ficar entre 488 e 500 milhões de toneladas nesta safra'', avalia.
A estimativa da Alcopar é de que a safra nacional de cana-de-açúcar alcance 554 milhões de toneladas no próximo ciclo. ''O abastecimento em 2012 deve ficar nos mesmos patamares que este ano. Com a participação na composição da gasolina e a alta competitividade do etanol no abastecimento dos veículos, não teremos produto sobrando, mas haverá um certo conforto'', argumenta Dias. Em relação ao déficit de canaviais produtivos, o superintendete da Alcopar afirma que as áreas estão sendo renovadas, mas que o processo até que se tornem aptos para colheita é demorado. ''Mudanças reais só serão possíveis em 2014 ou 2015'', prevê.
A engenheira agrônoma do departamento técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Maria Silvia Cavichia Digiovani, lembra que em 2008 os produtores e a indústria enfrentaram dificuldades financeiras e, consequentemente, não investiram o suficiente na renovação dos canaviais. Além disso, as plantações foram afetadas por excesso de chuvas, geadas e seca nesta safra. ''A oferta está restrita em todo o Estado'', afirma.
Maria Silva explica que a comercialização também interfere no mercado e os bons preços do açúcar e do álcool têm pressionado a produção. ''O Paraná depende da exportação de açúcar, produto de maior importância dentro do mercado sucroalcolleiro internacional. Os preços do mercado internacional estão favoráveis e influenciam muito os preços praticados internamente'', esclarece. Como resultado positivo desse cenário, a agrônoma da Faep aponta o bom retorno financeiro aos produtores nacionais de cana-de-açúcar.(Com informações da Folhapress)


