Suinocultores apostam em consumo maior no inverno. Aumento da demanda pode absorver o excesso de oferta
Os produtores de suínos e as indústrias processadoras estão apostando no inverno para recuperar as perdas recentes. Com as temperaturas baixas a procura por proteína amimal aumenta. Para um analista, ‘‘o inverno pode ser a salvação da lavoura’’ para os criadores de suínos. Com a demanda maior, o mercado pode absorver o excesso de oferta disponível e os preços vão subir.
Indústrias e sindicatos que reúnem as indústrias não divulgam dados sobre os preços da carne suína e dos derivados no atacado e no varejo, mas todos concordam que as cotações vão recuperar-se nos próximos meses até o final do inverno, primeira melhor época em termos de demanda.
As festas de final de ano estão em segundo lugar em termos de procura, mas perdem, com folga, para o inverno, pois o período menor. Além disso, no Natal e no Ano Novo, o mercado consumidor é mais disputado e a carne suína disputa com outras proteínas tradicionais, como o peru e o chester.
Preços devem subir Para os próximos meses, os preços dos derivados de suínos usados na feijoada, tais como língua, pé e orelha, devem subir de 10% a 25%. As indústrias não informam os preços atuais de venda. ‘‘Os preços tendem a crescer com a demanda por derivados para a feijoada nos próximos meses. A sazonalidade acentuada eleva os preços, movimento considerado normal’’, afirmou Oscar Ghizzi, da Cooperativa Aurora em São Paulo.
Para José Adão Braun, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, a expectativa é que a demanda eleve os preços pagos aos produtores e eles ultrapassem os custos de produção, hoje estimados em R$ 1,22/quilo vivo. Suinocultores de São Paulo, que estão mais distantes dos centros produtores de grãos, chegam a ter custo de produção de R$ 1 30/quilo vivo.
Os efeitos da maior demanda ainda não chegaram aos produtores, que continuam recebendo a mesma remuneração. ‘‘O mercado ainda não sentiu o aumento da demanda, mas as previsões climáticas são de um inverno rigoroso, o que deve dar suporte aos preços’’, afirmou Zezo Pedroso, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes de Santa Catarina.
Estoques altos Para Pedroso, o aumento da demanda por derivados de suíno não deve influenciar o mercado no curto prazo pois as indústrias e os varejistas estão muito estocados. ‘‘A procura é boa, o sentimento é que os preços vão subir, mas não na primeira quinzena do mês, pois os estoques são altos’’, afirmou.
Ele espera que as indústrias voltem a pagar aos produtores R$ 1,20/quilo vivo, preço praticado no ano passado. Atualmente, as indústrias pagam R$ 1,00/quilo vivo, mais bonificação que pode chegar a 12% para animais com pouca quantidade de gordura. Na média, a bonificação é de 6%.
Braun, da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, não descarta a possibilidade do setor passar por dificuldades no segundo sementre, quando a oferta de milho, principal insumo da ração, deve ficar mais apertada. Para ele, o problema não é o preço do suíno, que algumas pessoas acreditam estar baixos, mas o custo de produção. ‘‘Os custos estão muito maiores neste ano. A saca do milho em 2000 está 25% acima do preço praticado em anos anteriores’’, afirmou ele.
Mercado externo O Brasil produz anualmente 1,780 milhão de toneladas de carne suína e destina 90.000 toneladas para o mercado externo. O consumo per capita é estimado em 10,5 quilos.
Braun acredita que elevar o consumo interno é muito díficil e é um trabalho que leva tempo. Dessa forma, a solução é o incremento do mercado externo.
‘‘Com o reconhecimento do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina como estados livres de febre aftosa sem vacinação, daremos o primeiro passo para exportar mais’’, afirmou. Recentemente, os dois estados do sul foram considerados livres da doença sem vacinação.
Os Estados do circuito pecuário do Centro-Oeste foram reconhecidos como áreas livres da doença com vacinação. A expectativa é que em maio de 2001, o Brasil seja reconhecido como área livre de peste suína.
‘‘O reconhecimento é o segundo passado para a carne brasileira ganhar o mercado internacional’’, afirmou Braun. Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 28.073 toneladas de carne suína, sendo a maior parte, 22.730 toneladas para Argentina e Hong Kong, o que torna o país dependente desses dois mercados. Braun acredita que, com o reconhecimento, os exportadores poderão negociar vendas para a China, Japão, África do Sul e países da Europa, que não compram sem o certificado da OIE.

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