Arquivo FolhaCedo para entusiasmoVirgílio do Nascimento Mendes, vice-presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, acha que negócio ainda é de risco: ‘‘Qualquer investimento deve ser feito em sistema integrado com outros produtores’’O preço dos suínos, que só nos últimos 30 dias aumentou mais de 10%, está dando novo ânimo aos suinocultores paranaenses. Depois de fechar no vermelho nos dois últimos anos, os produtores voltam a ter lucro com a atividade.
Com um prejuízo acumulado de R$ 72 mil em 1995 e 1996, o suinocultor Alcídio Delapria, de Doutor Camargo, estava trabalhando com 20% a menos de matrizes e pensava em desistir da atividade.‘‘Estávamos pagando para trabalhar. Enquanto o custo de produção estava em torno de R$ 0,85 o quilo do animal vivo, recebíamos R$ 0,65 na hora da venda. Estava inviável’’, afirma.
A valorização do produto trouxe um novo fôlego para Delapria, que voltou à sua produção normal - com 120 matrizes. O novo preço está proporcionando uma margem de lucro em torno de 20% para o quilo do suíno em pé. Mas Delapria diz que ainda não pensa em investir no aumento do plantel. ‘‘É muito cedo e, portanto, muito arriscado. Afinal o preço ainda não está estabilizado’’, justifica.
O vice-presidente de comercialização da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Virgílio do Nascimento Mendes, divide a mesma preocupação. Para ele, este é um bom ano para quem tiver porco para vender, mas investir na produção ainda não é o melhor negócio. ‘‘É importante levar em consideração a média histórica de preço’’, afirma, ressaltando que qualquer investimento deve ser feito em sistema integrado com outros produtores.
Apesar do bom preço, alguns produtores que desistiram da atividade ainda não sentem segurança em voltar à suinocultura. O agricultor João Mendonça, de Arapongas, é um exemplo. Depois de fechar o ano de 96 com prejuízo de 35 mil reais, Mendonça passou a investir mais na agricultura e na pecuária. ‘‘Antes do Plano Real a produção era viável, depois os custos aumentaram e o preço de venda caiu’’.
Os baixos lucros ou muitas vezes inexistentes foi o que levou produtores a abater as matrizes e desistir da produção ainda no ano passado. E foi justamente isso que provocou esse aumento de preço. Neste ano, a oferta de suínos para o abate caiu 25% no Paraná. A média de abate no Estado é de 170 mil suínos por mês. Hoje a oferta é de 125 mil. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda elevou os preços.
Enquanto os suinocultores respiram aliviados com o bom preço, a indústria preocupa-se com a falta de matéria-prima. O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carne do Paraná, Péricles Salazar, diz que existe possibilidade de o Estado importar para suprir a carência, como já acontece em Santa Catarina. ‘‘Algumas empresas já estão importando paleta (carne da pata dianteira do porco)’’, afirma.

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