Oferta bem abaixo da demanda faz da piscicultura alternativa de renda
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quinta-feira, 12 de março de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Rifaina (SP) - Dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) apontam que o consumo de peixe no Brasil é de 1,7 milhão de toneladas por ano, volume muito acima da produção no País, que é de 585 mil toneladas. Segundo especialistas do setor, essa elevada demanda por pescado faz da piscicultura uma oportunidade para aqueles produtores que querem incrementar a renda ou até mesmo mudar de atividade. Mas, para isso, é preciso superar algumas dificuldades, como o excesso de burocracia na hora de implantar o negócio.
O presidente da Peixe BR, Eduardo Marchesi Amorim, conta que licenças ambientais e impostos altos dificultam a vida de quem quer investir nesta área. "Criamos a associação para unir o setor e tentar aliviar os entraves que caem sobre ele", afirma. Ele explica que o objetivo da entidade é contribuir para o crescimento e profissionalização da piscicultura brasileira, agregando renda à cadeia produtiva, com a inclusão de produtores e indústrias de processamento e de insumos.
O Paraná é um dos maiores produtores de peixes de água doce do País, com 70 mil toneladas por ano. E, no Estado, apesar das dificuldades, a piscicultura segue em pleno processo de expansão. Por ano, de acordo com cálculos da Peixe BR, o setor tem crescido entre 17% e 20%. Amorim diz que o modelo cooperativista do Paraná tem proporcionado maior agilidade no processo de criação de plantas de piscicultura, já que as cooperativas oferecem apoio técnico e jurídico. "A piscicultura do Estado é bem desenvolvida, principalmente por causa das cooperativas", destaca.
De acordo com Amorim, outros grandes polos de produção, como São Paulo e Minas Gerais, não contam com a união entre os produtores e ainda sofrem com o deficit hídrico, que tem reduzido seu potencial produtivo. São Paulo, segundo ele, vem conseguido driblar o problema investindo em tanques-rede -sistema bem explorado em rios do Norte e do Noroeste do Paraná.
Mesmo com falta de água e dificuldades na aplicação de projetos, a produção de peixes pode ser um bom negócio, desde de que seja realizada com alto nível de profissionalização. Há pouco tempo em operação, a MCCassab investiu R$ 50 milhões na produção de tilápia em tanques-rede. A empresa tem sede no município de Rifaina, localizado no estado de São Paulo quase divisa com Minas Gerais. O diretor técnico, Gustavo Bozzano afirma que a espécie oferece uma boa relação custo-benefício. Na região, a venda do peixe gira em torno de R$ 4,60 o quilo, a um custo de produção de R$ 3,80 o quilo.
A empresa tem uma capacidade de produção de 400 toneladas por mês. E Bozzano diz que, para ter bons rendimentos, é necessário investir em tecnologia. Todo o processo de alimentação dos animais nos tanques-rede é automatizado. Cada gaiola recebe uma quantidade adequada de ração. "Para ter sucesso na atividade, é preciso tecnificar o negócio", observa. Até mesmo a produção de alevinos é realizada na propriedade onde ficam os tanques-redes.
De acordo com dados da Peixe BR, a atividade movimenta um total de R$ 4 bilhões por ano no País, gerando um milhão de empregos diretos e indiretos.
O jornalista viajou a Rifaina a convite da Peixe BR.


