Oferta aumenta e segura o preço do suíno
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sexta-feira, 03 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Contrariando as expectativas dos suinocultores, o preço da carne suína não superou o custo de produção no final do ano, quando o consumo aumenta e pressiona a cotação. O quilo do animal vivo custava R$ 1,47 em média, ontem, no Paraná. O produtor gasta R$ 1,82 para produzir a mesma quantidade do produto. As informações são do médico-veterinário Guilherme Oscar Richter, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
O excesso de oferta explica a estabilidade dos preços. O técnico do Deral revelou que a produção paranaense aumentou 20% em 2002, atingindo o abate de 3,15 milhões de cabeças que resultaram em 280 mil toneladas de carne inspecionadas. Em Santa Catarina, o crescimento foi de 5% e no Rio Grande do Sul, 10%.
Os suinocultores também foram prejudicados pela alta nos insumos. A saca de milho, utilizado para alimentar os animais, chegou a R$ 25,00 no atacado. ''Esse preço inviabiliza a produção'', comentou. A situação só deve melhorar com a entrada da safra do grão, no final de fevereiro.
Romeu Carlos Royer, presidente da Associação Paranaenses de Suinocultores, acredita que 2003 ainda será ruim para o setor. A solução, para ele, depende da redução dos plantéis. ''O produtor continuará levando prejuízo se não diminuir a oferta'', disse.
O equilibrio seria garantido pela redução de 10% a 12% dos animais. Essa medida, porém, depende da conscientização do produtor e da organização da produção. ''Não adianta ficar esperando o vizinho diminuir o plantel para tirar vantagem'', criticou. O sucesso da política depende também da adesão das grandes empresas integradoras, que deveriam se organizar para evitar que a produção supere a demanda.
O setor aposta também no aumento das exportações para amenizar o problema. Para Elias Zydek, diretor executivo da Frimesa, empresa integradora de Medianeira, no Oeste do Estado, as vendas externas de carne precisam atingir a escala de 500 mil toneladas no ano, o que equivale a 20% da produção nacional, ante os 14% atuais. O principal entrave dos negócios no exterior são as barreiras protecionaistas dos grandes compradores. ''Oitenta e quatro por cento das exportações são para a Rússia. É preciso ampliar esse leque'', considerou.
Ele não acredita em aumento de consumo no mercado interno. ''O poder aquisitivo do brasileiro é muito baixo.'' A péssima situação financeira da população também impede o repasse de preços nos cortes e embutidos. ''O custo de produção subiu de R$ 1,10 para R$ 1,75 em 2002. Essa alta não foi totalmente repassada ao varejo'', disse.
O produtor independente Nelson Guidoni não acredita que a redução no volume de animais resolva o problema. ''Na região Norte do Estado, 70% das granjas independentes fecharam e não adiantou'', informou ele, que é presidente da Associação de Suinocultores de Arapongas e Região (Assuar).
Os pequenos suinocultores esperam a queda do dólar e dos juros para obterem um custo de produção mais compensador. Guidoni aconselha também a substituir o milho e o farelo de soja por produtos mais baratos na alimentação dos animais. Em sua granja, ele diminuiu o custo de produção de R$1,95 para R$ 1,80 por quilo utilizando produtos como silagem de mandioca, milho, aveia, triticale e triguilho.


