Oeste não sabe o que fazer com embalagem de agrotóxicos
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - A Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel (Areac), manifestou preocupação com o destino do lixo gerado a partir do uso de agrotóxicos. Desde novembro do ano passado, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semab), deixou de recolher as embalagens de agrotóxicos que se acumulam nas propriedades rurais.
Segundo o presidente da Areac, Cezar Davi Veronese, o depósito de lixo tóxico localizado no aterro sanitário, para onde eram encaminhadas as cargas, está com sua lotação completa, impedindo que novas embalagens sejam recebidas. Com a paralisação das atividades, o lixo está concentrado nas propriedades rurais do município, colocando a natureza em risco e podendo contaminar o lençol freático.
O recolhimento das embalagens fazia parte de um programa denominado Terra Limpa. Os agricultores realizavam a tríplice lavagem e entregavam o material para a Semab. Por sua vez, a secretaria conferia a limpeza do material, prensava e armazenava no aterro sanitário. Todo o trabalho educativo que foi construído ao longo do tempo junto aos agricultores pode ser perdido, alerta Veronese.
De acordo com a legislação federal, a partir do próximo dia 1º de junho, a responsabilidade de recolher as embalagens tóxicos será do fabricante do produto, no caso as indústrias de herbicidas e inseticidas. De qualquer forma, estas indústrias terão que dispor de um local para armazenar, mas não há nenhuma movimentação neste sentido, destaca o engenheiro agrônomo.
O diretor da Semab, Adolfo Ogura, confirma a informação de que o depósito está impedido de receber novas embalagens de agrotóxicos por falta de espaço. Enquanto as embalagens não forem retiradas do local, nenhum produtor dos 22 municípios pertencentes ao programa Terra Limpa poderá entregar seus recipientes no aterro sanitário.
Ogura completa que ainda em novembro, a Secretaria entrou em contato com a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), responsável pelo transporte das embalagens que posteriormente serão recicladas, para alertar sobre o problema. Mas, até o momento não obtiveram nenhuma resposta concreta sobre sua resolução.
O diretor da Semab pede que os produtores continuem fazendo a tríplice lavagem nas embalagens e as armazenando em um local adequado em suas propriedades. Segundo ele, assim que o problema de espaço for resolvido será definido um calendário para reiniciar o recebimento das embalagens de agrotóxicos.


