A transformação em dinheiro de mais de 32 milhões de sacas de soja e de 17,7 milhões de milho, cujos últimos grãos estão sendo colhidos, no Oeste paranaense, resultará em cerca de R$ 670 milhões, parte a ser injetada na economia regional. Descontando-se débitos dos agricultores, o dinheiro deve alimentar negócios de máquinas e equipamentos e o aquecimento do mercado imobiliário - em Cascavel, por exemplo, há grande número de apartamentos à espera de interessados.
A entrada da safra é fundamental para a economia dos municípios da região, essencialmente agrícola. Revendas de máquinas e equipamentos ainda não conseguem estimar mais objetivamente o volume de negócios, principalmente porque a seguir virá o plantio do trigo, que terá área muito pequena, portanto exigindo menos maquinário. As construtoras e imobiliárias esperam ‘‘desovar’’ apartamentos de prédios já concluídos ou em fase final, mas não devem ser estimulados de imediato novos lançamentos.
Esta etimativa é feita pelo engenheiro José Vidal Boaretto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/Oeste). Boaretto reconhece que a safra ‘‘é sempre esperança de negócios’’ para empresas do setor, mas prefere não exagerar no otimismo, embora a colheita este ano tenha volume expressivo. De soja, nos cinquenta municípios do Oeste paranaense, são aproximadamente 1,94 milhão de toneladas, e de milho 1,06 milhão.
Uma saca de soja alcançou durante a semana em Cascavel cotação já acima de R$ 16, em sequência à alta das últimas semanas, e a de milho estava na faixa de R$ 6,60. O volume colhido do primeiro produto pode representar mais de R$ 510 milhões, e o de milho talvez R$ 117 milhões (observadas as cotações atuais), mas não se trata de dinheiro vivo, porque parte significativa está comprometida com bancos e outros débitos dos agricultores.
O diretor-secretário da central de cooperativas Cotriguaçu, de Cascavel, Sebaldo Waclawovsky, estima que ‘‘talvez alguma coisa em torno de 40%’’ do dinheiro da safra possa efetivamente circular, o que, no caso do Oeste paranaense, pode significar algo em torno de R$ 280 milhões.
Financiamento que está sendo colocado à disposição para aquisição do maquinário, com juro fixo de 16% e prazo de 5 anos, cobrindo 70% do valor total, ‘‘sem dúvida é estimulante’’. Os produtores rurais Benjamin e Pedro Lupatini, que dividem uma propriedade no município de Cascavel, colheram 20 mil sacas de soja e 18 mil de milho. Eles têm três colheitadeiras, já com vários anos de uso, e gostariam de trocá-las, mas, segundo Pedro, ‘‘não vai dar para renovar o maquinário agora, porque a safra não rendeu tudo o que a gente esperava’’.

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