Ocupação de mão-de-obra no País cai de 91 a 96
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
A taxa de atividade nos três setores da economia (indústria, comércio e serviços) caiu 1,3 ponto percentual em cinco anos - de abril de 1991 a abril de 96 -, como revela levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em dados coletados durante a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A redução deve-se à queda da taxa de ocupação, que passou de 57,7% para 56,2% da População Economicamente Ativa (PEA).
No balanço entre os trabalhadores que conseguiram ocupação (1.831.424) e os que saíram do mercado (2.376.211) neste período, o segundo item teve maior participação. Em números absolutos, a população não economicamente ativa aumentou em cerca de 545 mil pessoas nas seis principais regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador).
Em 1991, o Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se praticamente estável, com variação de apenas 0,3% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, o PIB cresceu 2,9% em 1996. Os números constatam que o mercado de trabalho está cada vez mais desvinculado do crescimento econômico e mais associado à busca pelo aumento de produtividade.
Os anos 90 foram marcados por mudanças substanciais no mercado de trabalho brasileiro, diz o relatório do IBGE, que começa relatando a recessão econômica do período 90-92, a abertura comercial, o ajustamento no setor privado em busca de competitividade, o plano de estabilização econômica e a privatização, que repercutiram sobre a ocupação, a desocupação e o rendimento dos trabalhadores.
A saída da força de trabalho foi maior para as mulheres. Nos cinco anos estudados pela pesquisa, 28,4% delas passaram da condição de ativas para inativas no mercado de trabalho, enquanto o percentual de homens na mesma situação foi de 8,7%.
De 91 a 96, ocorreram também mudanças significativas nas relações de trabalho. O levantamento revela que 17% das pessoas empregadas (com ou sem carteira assinada) em maio de 91 passaram a não empregadas em abril de 1996: 14,2% delas viraram autônomos; 2,2%, empregadores e 0,5% trabalhadores sem remuneração (na maioria das vezes, parentes trabalhando sem receber salário).


