Ocepar tenta exportar trigo
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) está negociando contratos para exportar trigo. A iniciativa decorre da depreciação do mercado interno. Por causa da queda de braço entre produtores e moinhos, a venda do produto no mercado internacional se torna mais lucrativa. O Brasil sempre precisou importar trigo, porque produz apenas 50% do que consome. Como o País não tem tradição em exportação, o negócio está sendo tratado com sigilo e cuidado pela Ocepar.
Os moinhos estão oferecendo entre R$ 410,00 a R$ 420,00 pela tonelada do trigo. Os produtores esperavam conseguir o equivalente ao que é pago pelo trigo argentino (entre R$ 460,00 a 470,00). ''O trigo nacional tem a mesma qualidade que o importado, podendo chegar a preço equivalente com certeza'', afirmou o assessor técnico da Ocepar Flávio Turra.
Os produtores estão sem liquidez. Os armazéns das cooperativas estão lotados, explicou Turra. Na quarta-feira, o governo federal já havia anunciado a liberação de R$ 200 milhões, sendo R$ 100 milhões em forma de Empréstimos do Governo Federal (EGF) e R$ 100 milhões a operações por intermédio de Cédula de Produto Rural (CPR). Na avaliação da Ocepar, essa medida apenas financia a estocagem e não resolve o problema.
Ontem, os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e da Fazenda, Antônio Palocci, declararam que o governo federal vai oferecer contratos de opção de trigo. ''Mas se os valores não forem bons, a exportação continuará sendo uma saída'', observou Turra. Se optarem pelos contratos, os produtores terão que esperar até o ano que vem para receber o dinheiro, porque não há mais recursos disponíveis no Orçamento deste ano. ''Se exportarmos, o dinheiro vem agora'', acrescentou.
A produção brasileira de trigo deste ano deve chegar a 5,1 milhões de toneladas (metade do consumo interno). O Paraná é responsável por 60% da produção nacional e deve colher aproximadamente 2,8 milhões de toneladas. Desse volume, cerca de 2 milhões são comercializadas através das cooperativas. A reportagem tentou falar ontem com o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, mas não conseguiu contato.


