Ocepar sugere 'pé no freio'
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segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, sugeriu aos agricultores paranaenses que coloquem o ''pé no freio'' dos investimentos. Koslovski orientou os agricultores a não se endividarem muito agora tendo em vista o cenário difícil que o agronegócio deve atravessar no ano que vem, quando o preço das commodities deve se acomodar no seu patamar normal, mas os preços dos insumos já aumentaram 20%.
Koslovski deu esse recado durante o Fórum dos presidentes de cooperativas realizado ontem em Curitiba, que teve a presença do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, como um dos palestrantes. Loylola traçou um perfil das expectativas político-econômicas, também sugerindo que o cenário é de cautela. De acordo com Loyola, o País tem limites para o crescimento enquanto o governo federal não tiver uma política consolidada de investimentos, que ainda está em fase de votação no Congresso. Mas no geral, Loyola manifestou confiança na economia. ''O crescimento pode ser demorado, mas virá'', afirmou.
Os líderes de cooperativas aproveitaram o encontro para avaliar as emendas à Medida Provisória 223, que regulamenta o plantio de transgênicos. As entidades que representam a agropecuária enviaram cerca de 20 emendas que serão apreciadas durante votação da MP. Os líderes estão confiantes que o texto enviado pelo Senado, que libera o plantio de transgênicos no País sem restrições, será aprovado.
O presidente da Ocepar disse que a iniciativa do governador Roberto Requião de ir à Brasília solicitar que o Paraná seja declarado área livre do plantio de soja transgênica é legítima. Segundo ele, a posição da Ocepar é de construir um acordo e estar sempre aberta ao diálogo.
Koslovski recomendou cautela destacando que a situação não é de desespero porque a conjuntura pode ter uma reversão que poderá vir através de uma mudança no clima ou pelo acirramento das guerras no mundo. ''Algum fato novo pode determinar uma nova conjuntura internacional e o mercado de commodities pode ter uma reação'', alertou.


