Ocepar sugere cautela na venda de soja
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A comercialização de soja reanimou os negócios ontem no Porto de Paranaguá (o impasse dos estivadores não afetou o corredor de exportação), que estavam quase parados desde que os preços caíram de US$ 11,00 a saca para uma média de US$ 10,30/saca. Segundo Fernando Muraro, da Cotriguaçu, a média de negócios não ultrapassava a 2.000 t/dia. Ontem, foram negociadas 10 mil t de grãos. As tradings e cooperativas aproveitaram a alta na cotação da commoditie no mercado internacional e venderam a soja entre US$ 10,50 e US$ 10,60 a saca.
Em função dessa volatilidade do mercado, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) está recomendando cautela aos produtores na venda da soja em grão. Segundo o assessor, Nelson Costa, os produtores devem comercializar a produção com um olho no mercado e outro nos seus compromissos diários. Ele alerta que o momento é de baixa, e caso o produtor se apavore em querer vender rapidamente poderá não conseguir um bom preço.
O preço da soja já caiu 15% de maio até agora. Segundo Costa, em maio a cotação do grão era de US$ 5,65 por bushell e ontem, foi cotada a US$ 4,72 por bushell. E as oscilações de mercado estão dependendo do clima nos Estados Unidos. A safra está em andamento e se chover nesse final de semana na região de produção, a cotação cai na próxima semana.
Mesmo assim, o mercado de soja ainda está bastante líquido e deve persistir assim pelos próximos dois meses, apesar da decisão das indústrias em exportar somente o grão e paralisarem com a moagem, disse Muraro. Esse comportamento, no entanto, sinaliza para menos liquidez no mercado, o que pode ser perigoso a partir de setembro, avisa. Por enquanto o ritmo de consumo está bom no mercado internacional.
Só a China, a grande vedete do mercado internacional de soja este ano, está enviando para Paranaguá entre dois e três navios todo o mês em busca de grão. Com a decisão das indústrias de não moer mais pode haver um excesso de grão para exportação e não sabemos o que será depois, quando começar a colheita da soja norte-americana, avalia. Por enquanto, tem mercado para todos, avalia.


