Ocepar recebe mudança 'sem euforia'
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quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
O setor cooperativista recebeu sem euforia as informações sobre alteração da política cambial, determinada ontem pelo Banco Central. Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, se por um lado o mercado estava ansioso por essas mudanças, por outro, a preocupação recai sobre as cooperativas e produtores isolados que fizeram financiamentos por meio da 63 caipira que capta recursos no exterior. Ocorre que a dívida desses produtores aumentou na proporção da desvalorização cambial e poderá dificultar a quitação desses débitos, alertou Koslovski.
Para o economista e consultor de empresas do setor agropecuário, Luiz Antonio Fayet, a medida terá impacto positivo sobre o setor. Ele afirmou que a sobrevalorização do câmbio estava funcionando como um imposto sobre a produção, enquanto o setor produtivo estava concentrando sua preocupação sobre os altos juros.
Para Koslovski, a desvalorização ainda é tímida diante da necessidade de reativação das exportações do setor agrícola. Ele disse que a desvalorização deve ser no mínimo de 20%. O presidente da Ocepar disse que a medida vai acelerar as exportações de produtos agrícolas, mas manteve-se cético em relação à mudanças mais significativas na política econômica. Ele revelou preocupação com a falta de recursos para Empréstimos do Governo Federal (EGF) no orçamento de 99. Em função disso o primeiro semestre deste ano deverá ser preocupante, principalmente para cevada, feijão e semente de trigo que precisam desses recursos já, afirmou.
Por outro lado, o diretor do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, destacou como ponto positivo da medida a redução das importações. Segundo ele, com o Real desvalorizado muitas importações que eliminavam a competitividade do produto nacional serão inibidas, beneficiando o produtor.
Para Fayet, o setor exportador estava perdendo receita com a moeda sobrevalorizada. Segundo seus cálculos, os produtores de soja perderam R$ 332 milhões no ano passado, com a exportação de aproximadamente 116 milhões de sacas de soja. O economista salientou que esta cultura tem uma influência decisiva na formação de preços de outros produtos e um forte impacto nas economias do Paraná, Rio Grande do Sul e dos estados do Centro-Oeste. Em função disso, ele aposta na reação positiva na economia destes estados.


