Curitiba O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, sugeriu ao governo federal adotar o sistema de cotas para as importações de trigo. O País importa 50% do consumo do grão e, mesmo assim, o produto nacional não tem preço no mercado. O regime de cotas iria reduzir o desembolso de divisas com as importações, estimado em US$ 1 bilhão por ano. O trigo é o segundo item da pauta de importações brasileiras.
A proposta foi feita durante participação de Koslovski na audiência pública que discutiu a situação de triticultura nacional, realizada anteontem na Câmara Federal. O presidente da Ocepar propôs, ainda, a criação de uma Frente Parlamentar do Trigo, para defender os interesses dos produtores e também para rediscutir a política de importação. Segundo Koslovski, sem o apoio do Congresso, os produtores não têm força de negociação.
O Paraná é responsável por 60% da produção nacional de trigo. Os produtores alegam que caíram numa armadilha. Foram incentivados pelo governo a plantar com a garantia da política de preços mínimos, que não está sendo executada. Os preços despencaram para R$ 280 a tonelada, quando o preço mínimo fixado pelo governo é de R$ 400 a tonelada.
Koslovski defendeu a intervenção do governo no regime de cotas de importação, para dar o respaldo contra possível especulação no mercado. Koslovski sugeriu que, a cada tonelada de produto comprada no exterior, a indústria teria que consumir uma tonelada da produção nacional. Outra proposta apresentada foi a proibição das importações, pelo menos no período de colheita. ''Os moinhos estão livres para importar e fazem isso no período de colheita para derrubar as cotações no mercado interno'', afirmou.
Segundo Koslovski, as sugestões foram bem aceitas pelos parlamentares em Brasília. ''Foi um primeiro passo para ajudar a agricultura que, este ano, está recebendo bem menos do que necessita'', disse. Este ano, o governo federal liberou R$ 926 milhões para operações de comercialização para a agricultura nacional, quando o setor necessita de pelo menos o dobro, defendeu Koslovski.
A indústria não recebeu bem as propostas da Ocepar. O presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Paraná, Roland Guth, defende a transferência de trigo nacional para as regiões Norte e Nordeste do País, para enxugar o mercado no Sul. Segundo o empresário, o regime de cotas iria prejudicar principalmente os moinhos instalados a partir de São Paulo para cima, que são os maiores importadores.
No Paraná, a restrição às importações não iria prejudicar tanto porque os moinhos já compram 85% do trigo que consomem de produtores paranaenses. Outros 15% vêm do Rio Grande do Sul e um volume reduzido de importações, disse Guth.
De acordo com o empresário, desde o início do ano está havendo um esforço da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e cooperativas gaúchas que transferiram 500 mil toneladas de trigo daquele Estado para o Norte e Nordeste. Apesar de precário, o transporte foi feito pela Marinha Mercante, que tem apenas três navios. Guth sugeriu a continuidade dessas negociações com a Marinha para transportar o produto do Paraná, já a legislação que impede o transporte marítimo interno por navios de outras bandeiras.

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