Ocepar pede volta do PEP para escoamento da safra
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terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
Cerca de 500 mil toneladas de trigo estão paradas nas cooperativas do Paraná por falta de comercialização. O problema não é perda de qualidade e sim falta de mercado, afirmou Nelson Costa, do Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar) . Em função disso, o órgão está enviando hoje uma reivindicação ao Ministério da Agricultura para que agilize rapidamente o PEP (Prêmio de Escoamento da Produção) para escoar os estoques em poder das cooperativas.
Até meados de novembro, cerca de 850 mil toneladas já haviam sido comercializadas no Paraná. A paralisação coincidiu com a entrada da safra argentina e com o pacote fiscal, que elevou os juros, justificou Costa.
Para ele, o trigo paranaense tem qualidade até superior ao trigo argentino, mas teve sua comercialização prejudicada em função da entrada da safra argentina em dezembro, em condições mais favoráveis aos moageiros. Enquanto o trigo nacional está cotado entre R$ 157,00 e R$ 160,00 a tonelada para pagamento à vista ou financiado com juros de 2,5% a 3% ao mês, os moinhos pagam o mesmo preço na Argentina, para pagamento com prazo superior a 360 dias e juros de 12% ao ano.
Com o PEP, o trigo nacional adquire condições de competitividade com o produto importado. Através dos leilões de bônus, o governo rebaixa o preço para a indústria ao nível das cotações do mercado externo e garante ao produtor o preço mínimo.
Segundo Costa, com a adoção do PEP os moageiros voltam a comprar o trigo nacional pela facilidade de comprovar a utilização do instrumento na transformação do produto. O trigo em grão comprado em Guarapuava pode ser apresentado na forma de farinha em São Paulo, citou como exemplo. Essa operação vai ajudar a movimentar os moinhos do interior, justificou.


