Marcos NegriniInteresse comumProdutores, moageiros e governo participam de fórum de comercialização do trigo, ontem em Maringá O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, reivindicou ontem em Maringá a taxação do trigo importado da Argentina. ‘‘Achamos que o governo deveria constituir um grupo de trabalho para estudar este assunto rapidamente, pois em dezembro teremos problemas com a comercialização do trigo nacional. É esta facilidade de entrada de produtos argentinos pelo Mercosul que está nos preocupando. Não existe imposto de importação’’, disse Koslovski.
O presidente da Ocepar fez palestra durante o Fórum de Comercialização do Trigo, realizado durante todo o dia de ontem no auditório da Cocamar e que teve a participação de cerca de 100 representantes de produtores, moageiros, Conab, Banco do Brasil e Bolsas de Mercadorias do Paraná. A Ocepar promoveu o encontro.
Koslovski afirmou que outra grande preocupação do setor é a falta de definição do Ministério da Agricultura para a concessão do Empréstimo do Governo Federal Sem Opção de Venda (EGF/SOV) e do Prêmio para Escoamento do Produto (PEP). Produtores e moageiros e o próprio Koslovski consideraram que, caso o preço do trigo argentino permaneça em alta (ontem às 7 horas estava em US$ 162), dificilmente haverá PEP para a safra 97/98.
A produção argentina deverá cair nesta safra dos 15 milhões de toneladas produzidas em 96 para 13 milhões de toneladas. O consumo interno daquele país é de 4,5 milhões de toneladas, segundo números da Ocepar e da Conab. O Paraná, calcula Koslovski, deverá produzir 1,6 milhão de toneladas de trigo na safra 97/98, contra 1,9 milhão produzidas na safra passada. Houve uma queda de 12% na área plantada no estado.
Para o presidente da Ocepar, o trigo desta safra será de ótima qualidade, ‘‘melhor do que a de 96, apesar da seca no início do plantio e da chuva na colheita’’.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo, Reino Rae, mostrou preocupação em relação à farinha argentina. ‘‘Treze por cento da farinha consumida no Nordeste já é argentina. No resto do país, este número chega a 10%. O que vemos é que o governo brasileiro não defende o produto nacional. Após décadas de intervenção estatal acabamos criando uma cultura de dependência oficial. Outro aspecto são os juros. Fica difícil concorrer com produtores que têm acesso a juro de um dígito’’, afirmou Rae.
O agrônomo Paulo Magno Rabelo, da Conab, apresentou estatísticas preparadas por ele com base em dados de agentes privados e que mostram que a safra 98/99 deverá ser boa para a indústria moageira mas ruim para os produtores. Segundo suas previsões, o mercado mundial deverá produzir naquela safra 596 milhões de toneladas de trigo, para um consumo de 581 milhões. O estoque será alto, de 140 milhões, devido a problemas na Ásia que não soube especificar. ‘‘Isto mostra a tendência dos preços baixos com estoque alto’’, disse. A perspectiva do estoque mundial da safra 97/98 é de 125 milhões de toneladas.
Rabelo também mostrou gráficos sobre a produção mundial dos principais importadores. A China, maior importador, produziu 110 milhões de toneladas nesta safra - a perspectiva para a próxima safra é de produzir 121 milhões de toneladas. Os países da ex-URSS produziram 63 milhões, com perspectivas de produção de 74 milhões para a próxima colheita. ‘‘Isto nos dá condições de prever que teremos uma redução no comércio mundial do trigo no próximo ano em função do aumento da produção pelos países importadores’’, disse Rabelo.
No gráfico sobre oferta e demanda do trigo brasileiro, os números mostram que em 96/97 o país produziu 8,5 milhões de toneladas, importou 5, milhões, consumiu 3,1 milhões e manteve estoque de 794 mil. Em 97/98, a previsão é de produção de 8,4 milhões de toneladas, importações de 5, milhões, consumo de 2,7 milhões e estoque de 630 mil toneladas.
Rabelo pediu aos produtores e moageiros para lutar pela manutenção do atual preço mínimo, de R$ 157,00, ‘‘caso contrário a próxima safra terá resultados negativos’’.

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