Ocepar pede prioridade para trigo nacional
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As cooperativas do Paraná vão pedir aos moinhos para que priorizem a compra do trigo nacional e prorroguem a compra do trigo importado. A medida é uma alternativa à falta de interesse do governo, que até agora não liberou instrumentos eficazes de apoio à comercialização do trigo. Os representantes das cooperativas que comercializam o trigo reuniram-se ontem na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em Curitiba.
O mercado encontra-se totalmente travado sem interesse de compra pelo produto. Segundo o superintendente adjunto da Ocepar, Nelson Costa, as cooperativas estão na expectativa da liberação de recursos para Aquisição do Governo Federal (AGF), no mínimo de R$ 50 milhões para o Paraná, maior estado produtor do grão. Este volume, embora inferior à demanda que está sendo estimada em R$ 200 milhões, ainda não foi garantido, salientou.
Outra expectativa das cooperativas refere-se à realização do leilão para contratos de opção que deve acontecer amanhã, dia 21. Serão ofertadas 86.670 toneladas de trigo por R$ 428,75 a tonelada. O valor até agradou cooperativas e produtores porque está acima do mínimo fixado de R$ 400,00 a tonelada. Porém o pagamento do contrato foi fixado para o dia 14 de janeiro de 2005 e até lá muitas contas importantes para o produtor já venceram. Entre elas está a parcela da securitização (dívida dos produtores) que vence no dia 31 de outubro, e os débitos de custeio que começam a vencer no dia 5 de novembro. ''Portanto o agricultor precisa do dinheiro antes para saldar seus compromissos'', afirmou.
Segundo Costa, as cooperativas consideraram insuficientes os três leilões do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) realizados até agora. Os dois primeiros fracassaram por falta de prêmio atraente. No terceiro leilão, o governo elevou o preço do prêmio de R$ 73,00 para R$ 122,00 a tonelada, mas eram poucos os interessados. Das 30 mil toneladas de trigo ofertadas no Paraná, foram vendidas somente 400 toneladas.
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) não se manifestou sobre a compra do trigo nacional. O diretor da entidade, Lawrence Pih não foi encontrado pela Folha.


