A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) pediu ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pela extensão em dez dias dos prazos de plantio de milho segunda safra para todos os zoneamentos no Estado, para melhorar a oferta do grão. Devido ao excesso de chuvas, houve alongamento do ciclo da soja e consequente atraso na semeadura de safras de inverno, o que diminui a quantidade de área plantada. Até a tarde de ontem, o Mapa não havia dado resposta ao pleito da entidade paranaense.
Na região de Londrina, os zoneamentos preveem plantio de milho até o dia 10 ou 20 deste mês. Porém, o excesso de dias chuvosos desde o início do ano dificultou a entrada de maquinário nas lavouras e atrasou o ciclo da soja. Conforme dados apurados até a semana passada pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), a umidade deve provocar quebra de 4% na safra esperada para a soja, ou redução de 18,2 milhões para 17,6 milhões de toneladas.
Assim, os prazos para o plantio direto de milho, produto que está valorizado e que impacta nos custos de produtores de suínos e aves, por exemplo, corre o risco de ser reduzido. "As regiões Norte e Nordeste do Estado, que têm zoneamentos do dia 10 e 20, são áreas de risco baixo e poderiam ter os prazos prorrogados. Para o mercado e para o governo, seria interessante para elevar a oferta de milho", explica o gerente técnico econômico da Ocepar, Flávio Turra.

Perdas
Administrador do Deral, Edmar Gervásio afirma que, até a semana passada, a colheita de soja atingiu 51% da área plantada. Por ficar tempo demais no campo, os grãos colhidos podem ficar mofados, ardidos ou brotados, diz ele. Assim, a entidade reviu a última expectativa de safra já com quebra de 600 mil toneladas. "As cooperativas ainda vão avaliar os produtos e apontar o índice de grãos com perdas, então teremos um número final lá pelo dia 30."
De acordo com a Ocepar, a colheita terminou na região Oeste do Estado, está avançada em boa parte do Norte e Noroeste, mas atrasada no Sul e Sudeste. "Recebemos informações de que hoje estamos com qualidade e índice de colheita melhores do que há uma semana", conta Turra.
A soja ideal para exportação tem padrão de 14% de umidade, 8% de grãos avariados e 1% de impurezas. É a quantidade de produto impróprio que preocupa as cooperativas. "É feito um desconto na classificação e há necessidade de se segregar a soja boa da colhida com problema, para uma não prejudicar a outra", sugere.
Porém, tanto Turra quanto Gervásio consideram que é cedo para falar em flutuação no preço do produto devido às perdas. "No momento, a saca continua a R$ 67 ou R$ 68 e, conforme avança a colheita, existe um viés negativo. Mas é um ‘pode cair’ ainda bem distante", cita o administrador do Deral.

Balde d’água fria
Produtor de soja e milho em Tamarana, Laurindo Tetsuya Hiroishi estima em até 48% a quebra na produção de soja deste ano. Ele ainda espera que a cooperativa consiga recuperar parte da produção dele, por meio de secagem e separação, para definir o tamanho do prejuízo. "Tudo depende de como vai ser a comercialização. Meu lucro já se foi e vou esperar para ver se cobre meus gastos", conta. "Foram até sete dias de chuvas seguidos e é o mesmo que pegar um pé de soja e deixar mergulhado em um balde cheio d’água", completa. Com o atraso, ele também teve pouco tempo para plantar o milho. "Minha previsão era plantar, mas com 20 dias de atraso não deu para salvar muito", diz Hiroishi.

Imagem ilustrativa da imagem Ocepar pede ao Mapa mais dez dias para plantio de milho
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