Ocepar liga sinal de alerta para greve dos fiscais federais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) está com o sinal de alerta ligado em relação à greve dos fiscais federais agropecuários, iniciada no dia 17 de setembro em todo País. A preocupação é tanto com a área animal quanto com a vegetal, principalmente no que diz respeito à exportação do milho safrinha, que ganha força em volume no último trimestre do ano. Para que a commodity deixe o Estado através do Porto de Paranaguá e demais portos, é necessário a emissão dos certificados fitossanitários, que são emitidos pelos fiscais in loco.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), a adesão da greve é de 70% do total de 384 fiscais federais alocados no Paraná. O delegado da Anffa no Estado, Daniel Gouvêa Teixeira, explica que os profissionais estão trabalhando no porto para liberar todas as cargas perecíveis e refrigeradas e, no caso de outros produtos, a liberação é de apenas 30% dos certificados internacionais. Ele explica que a adesão dos funcionários que atuam na área animal até o momento é maior do que na área vegetal. Ou seja, as cargas de milho estão sendo liberadas com maior tranquilidade. "A nossa expectativa é que a adesão dos fiscais aumente esta semana. A negociação da última sexta-feira foi muito ruim e o Ministério do Planejamento não se mostrou nenhum pouco aberto às nossas demandas", salientou ele.
Caso a greve ganhe força, os volumes de exportação de milho podem ser prejudicados. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), entre janeiro e agosto o Paraná exportou 1,25 milhão de toneladas, e até o final do ano a expectativa é ultrapassar facilmente a marca dos três milhões de toneladas. Portanto, os embarques vão ganhar um ritmo muito maior. "É no segundo semestre, principalmente nos três últimos meses, que o escoamento aumenta significativamente em volume", explica o técnico do Deral, Edmar Gervásio. Os principais países compradores desta safra são Vietnã, Malásia e Irã, que correspondem a 50% do volume total exportado.
O gerente técnico econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, confirma que a possibilidade de interrupção da emissão dos certificados fitossanitários é um assunto que preocupa muito, principalmente porque o volume de milho safrinha que está sendo enviado para o porto é enorme. "Por enquanto, não nos foi relatado nenhum tipo de problema, mas preocupa porque a falta de emissão (dos certificados) pode gerar a paralisação dos embarques. Isso é muito negativo neste momento", salienta Turra. "O Brasil deve exportar 30 milhões de toneladas do milho segunda safra até o final de janeiro. Os embarques nos portos brasileiros devem atingir a marca de 3 milhões de toneladas por mês", complementa.
Os fiscais federais agropecuários reivindicam, segundo a Anffa, uma proposta de reajuste salarial de 5% nos próximos dois anos, regulamentação de plano de carreira e o fim das indicações políticas para as chefias dos órgãos de defesa sanitária. A expectativa é que uma nova rodada de negociações aconteça ainda esta semana.


