Curitiba - A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) entram hoje com uma ação na Justiça pedindo a intervenção do governo federal para garantir a fiscalização no abate de carne no Paraná e a emissão das Guias de Transporte Animal (GTA), serviços feitos no Estado pelos funcionários da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimetno (Seab), que estão em greve desde segunda-feira.
O trabalho passaria a ser de responsabilidade do Ministério da Agricultura. A medida judicial também vai pedir que seja definida a responsabilidade pelos danos causados à pecuária paranaense. ‘‘Estamos questionando se a responsabilidade é do governo do Estado, se o mesmo fez tudo o que podia para evitar essa situação’’, ressaltou o assessor da Faep, Carlos Augusto.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, disse que a ação conjunta das duas entidades visa a manutenção das conquistas do setor agropecuário, principalmente no que diz respeito à febre aftosa. Ele salientou que a greve ‘‘coloca em risco’’ o status de área livre com vacinação, obtido junto à Organização Internacional de Epizootias, em 2000. Koslovski lembra que entre os três estados do Sul, o Paraná se destacou em 2001 pelo bom desempenho em suas exportações.
Até o início da noite de ontem, o delegado do Ministério da Agricultura no Paraná, Gil Bueno de Magalhães, não tinha recebido nenhum comunicado oficial a respeito do pedido da Faep e Ocepar, para que o órgão tome conta da fiscalização sanitária no Estado. Segundo Magalhães, se esse pedido realmente for feito, a delegacia vai seguir a orientação dada pelo Ministério, em Brasília. ‘‘Desde que haja autorização de Brasília e locação de recursos, poderemos fazer este serviço. Mas hoje não temos nenhuma programação nesse sentido.’’ No Paraná, o Ministério da Agricultura conta com cerca de 600 funcionários.
Para o presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, a maior preocupação no seu setor é com a imagem do Estado no exterior, já que as exportações de carne de frango têm crescido nos últimos anos. O abate e o transporte de aves no Estado, segundo Muniz, não ficam prejudicados porque a fiscalização é feita pelos mesmos profissionais que emitem as GTAs.

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