Os produtores paranaenses querem medidas urgentes para a crise da comercialização do algodão. Eles pedem a compra do produto por meio de AGFs, até 1.000 arrobas por produtor e a antecipação de leilões do PEP (Prêmio de Escoamento da Produção) para abril.
As reivindicações estão sendo feitas pela Faep e pela Ocepar, que ontem enviaram um documento conjunto para os Ministérios da Agricultura e da Indústria e Comércio. As bancadas políticas federal, estadual e o governo do Estado também foram acionados na mobilização contra a crise que ameaça 25 mil produtores no Estado.
Cerca de 20% da área com algodão no Paraná já está colhida e não há mercado para o produto. As indústrias estão se abastecendo com a produção argentina, que está sendo colocada no Brasil, abaixo do preço mínimo.
Argentino O algodão argentino pode ser encontrado até no porto seco de Foz do Iguaçu, com pagamento à vista, sem que as indústrias precisem fazer estoque. ‘‘As indústrias estão pagando US$ 0,63 por libra-peso, enquanto que para garantir o preço mínimo aos produtores, teriam que desembolsar no mínimo US$ 0,74 por libra-peso’’, afirmou Nelson Costa, da Ocepar.
Em consequência dessa concorrência, o preço do produto nacional caiu abaixo do mínimo. O produtor consegue negociar o algodão entre R$ 6,40 e R$ 6,50 a arroba, abaixo do preço mínimo de garantia, que é R$ 7,00 a arroba.
Para o assessor da Faep Carlos Augusto Albuquerque, o governo já havia tomado a decisão de acionar o PEP para acelerar a comercialização de algodão. Ocorre que o primeiro leilão está marcado para o dia 15 de abril e os produtores querem antecipar essa data. Segundo Albuquerque, os produtores não têm mais dinheiro para pagar as despesas da colheita.
Produção A crise na comercialização se instalou no momento em que o País está colhendo 463.000 t de pluma, que corresponde a uma elevação de 79% sobre a safra passada, quando foram produzidas 247.000 toneladas de pluma.
O aumento na produção foi uma resposta dos produtores aos incentivos dados à cultura pelo governo federal e alguns governos estaduais.
Para se ter uma idéia, os produtores paranaenses com incentivos do governo estadual duplicaram a área plantada, que abrange 112.000 ha. Na época do plantio, a expectativa de comercialização era de R$ 8,00/arroba.
Crise asiática A recuperação da cultura do algodão no País foi atropelada pela crise asiática, avaliou Nelson Costa, da Ocepar. Isso porque a Argentina tinha os países asiáticos como principal mercado para o algodão que produz. Como as compras foram suspensas, ela está tentando desovar seus estoques na América Latina e o Brasil é o seu principal alvo.
Na safra 97/98, a Argentina vai produzir 455.000 toneladas de pluma, enquanto seu consumo é de apenas 110.000 mil toneladas. Portanto, aquele país tem um excedente que supera 300.000 toneladas de pluma.
Além do AGF e antecipação do PEP, os produtores estão reivindicando o lançamento imediato de EGF com opção de venda, para cooperativas e beneficiadores, e EGF sem opção de venda para as indústrias.
Para a Faep, a medidas já adotada pelo governo federal, de abrir uma linha de crédito para as indústrias absorverem a produção de algodão no mercado, foi inócua. As taxas são extremamente altas, acumulando um índice de 22% a 25% e não atraíram o interesse da indústria.

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