Ocepar é contra renovação dos contratos de pedágio
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sexta-feira, 10 de julho de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) divulgaram notas se posicionando contrárias à renovação de contratos com as atuais concessionárias de rodovias no Paraná. O posicionamento das duas entidades contraria o da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) que, na semana passada, defendeu a renovação, com redução de tarifas de pedágio.
Os atuais contratos vencem em 2022. No mesmo ano, se encerra o convênio de delegação das rodovias que são federais - firmado entre a União e o Paraná. O governo estadual deu início a negociações com o Ministério dos Transportes para que essa delegação seja renovada. Sem isso, não há como o Estado fazer novas concessões, ou renovar os atuais contratos das concessionárias para além dos seus vencimentos.
"Nossa proposta é deixar vencer os atuais contratos", afirma Flávio Turra, diretor técnico e econômico da Ocepar. Segundo ele, a posição é da diretoria e representa o pensamento de todos os cooperados. Diante das tarifas consideradas elevadíssimas, Turra não acredita que possa haver qualquer negociação com as concessionárias que resultem num bom acordo. "Eu entendo que é impossível na atual circunstância", disse ele, se referindo à possibilidade de as empresas aceitarem uma redução de tarifa de até 60%, que a entidade entende ser necessária.
A reportagem comparou o custo de pedágio entre três das atuais concessões paranaenses e três das mais recentes federais. A mais cara entre as do Paraná é a da Econorte. São R$ 13,15 por 100 quilômetros. Para que ela chegue ao valor da mais barata das federais, cobrada na Rodovia Fernão Dias (em Minas Gerais e São Paulo), seria necessária uma redução de 82%. Já para a mais barata das três tarifas paranaenses analisadas R$ 10,69 - chegar à mais cara das concessões feitas pela União (R$ 5,43 na BR 101, no Espírito Santo), o desconto necessário seria de 49%.
Segundo Flávio Turra, a Ocepar defende que, após vencidos os atuais contratos, o próprio Estado, mediante nova delegação, faça outras concessões. Para ele, não é boa ideia deixar a União conceder o Anel de Integração paranaense, a exemplo do que faz nos demais Estados."Tem que ficar com o Paraná porque fica mais fácil de a gente negociar, de fazer ajustes, de resolver problemas que, por ventura, venham a acontecer", defende.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, contou que a diretoria da entidade discutiu o assunto e tomou uma posição. "A pedido do governador (Beto Richa), o Sílvio Barros (secretário de Planejamento do Paraná) trouxe essa proposta (de renovação dos contratos). Todos os diretores se mostraram contrários. Foi uma decisão colegiada", afirma. Ele diz que uma proposta que poderia fazer a Fiep mudar de posição seria a redução entre 50% e 60% nas atuais tarifas e o início imediato da duplicação de todo o Anel de Integração.
Campagnolo afirma que o governo não apresentou nenhuma proposta de índice de redução de tarifa. Mas que, nos bastidores, diz-se que a intenção seria diminuir o pedágio em 30%. "Ainda seria um valor muito danoso ao usuário", declara.
Carlos Augusto Albuquerque, assessor da presidência da Faep, explica por que a entidade tem posição diferente das demais. Segundo ele, não dá mais para esperar pelas obras que estão previstas somente ao final dos atuais contratos. "Por isso defendemos a renovação."
Ele lembra que os contratos tiveram aditivos e algumas obras previstas inicialmente não serão mais exigidas das concessionárias. "Propomos que o governo do Estado negocie a renovação com as atuais concessionárias exigindo a antecipação das obras que ficaram para o final do contrato e a realização das obras que foram retiradas dos contratos. E que incluam obras que nunca estiveram neles, de modo que o Anel de Integração fique 100% duplicado", declara.
Segundo ele, ainda não é possível apontar um porcentual de redução de tarifa. "Isso é um cálculo matemático que precisa ser feito considerando todas a sobras que queremos. Ninguém negociou nada ainda com as concessionárias", declara.


