Ocepar denuncia operação mata-mata
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de novembro de 1998
Vânia Casado 
O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, disse que os bancos estão reeditando a versão mata-mata, que condiciona a liberação do crédito de custeio à quitação de débitos anteriores.
A denúncia foi feita um dia após o governo federal ter-se pronunciado favorável à prorrogação das dívidas dos agricultores e cooperativas. A superintendência do Banco do Brasil no Brasil não concorda com o termo mata-mata. A política do banco é não elevar o risco das operações de crédito e isso envolve uma renegociação, alongamento ou prorrogação de débitos anteriores.
Koslovski disse que esse assunto será discutido na próxima quarta-feira, em reunião em Brasília, no Ministério da Fazenda. Ele admite que esse comportamento do banco é reflexo da contração de recursos por causa do ajuste fiscal, mas alertou que o fluxo para o custeio não está atendendo à demanda da safra. E a consequência será nefasta para o país, porque os produtores vão utilizar menos tecnologia e a produtividade certamente será comprometida, disse o presidente da Ocepar.
Koslovski não soube dizer o percentual de produtores que não estão conseguindo crédito de custeio em função de débitos anteriores, mas afirmou que ele é alto. Disse ainda que a Ocepar vem recebendo diversas denúncias de produtores vinculados às cooperativas.
Ele lamenta que o volume de recursos destinado ao crédito rural esteja cada vez mais contraído. Primeiro foi a dificuldade de captar recursos no exterior através da resolução 2148, e agora, a redução do crédito rural foi ampliada com essa exigência de acertar débitos antigos.
BB confirma O analista de crédito rural do Banco do Brasil, Josemar Horst, disse que a política do banco é priorizar o atendimento ao cliente que mantém os contratos em dia, ou seja, aqueles considerados tradicionais e parceiros.
No caso de pedido de crédito por um cliente que tenha uma pendência financeira, Horst, confirmou que o gerente vai pedir primeiro a renegociação do débito anterior. Isso não significa a liberação de recursos de custeio para a quitação da dívida. Mas o banco vai conversar com o cliente e certamente vai querer acertar uma prorrogação, refinanciamento ou alongamento da dívida.
Segundo o representante do banco, essa análise da operação envolve o estabelecimento de risco, que vai determinar se o produtor terá ou não capacidade de honrar os débitos antigos e mais os novos financiamentos. Se o risco for muito alto, certamente o crédito não será concedido, avisou Horst. Ele disse ainda que atualmente o BB se vê obrigado a selecionar bastante seus clientes. Não é mais como era antes, que a concessão de financiamentos era mais fácil, porque o risco também era menor, justificou.
Apesar das informações que chegam sobre redução no volume de crédito de custeio, a superintendência informou que o fluxo de recursos para o custeio da safra 98/99 está superior ao ano passado.
Este ano já foram aplicados R$ 316 milhoesXXXXX no item demais produtores (que envolve médios e grandes produtores), contra R$ 280 milhões concedidos na safra anterior. No item demais produtores, os médios e grandes produtores pagam uma taxa de 8,75% anual, com limite de R$ 40 mil para o produtor de soja, R$ 150 mil para o produtor de milho e R$ 300 mil para o produtor de algodão. Se o produtor for financiar soja, milho e algodão, o limite cai para R$ 150 mil. E se for combinar o financiamento de soja e pecuária, o limite é de R$ 40 mil, informou a superintendência do Banco do Brasil.


