O Brasil deve prosseguir com as reformas se deseja assegurar um crecimento duradouro, segundo o primeiro estudo econômico sobre o país da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), publicado ontem em Paris.
‘‘O Brasil está em um momento de sua história que lhe abre a perspectiva de um crescimento duradouro. Deve continuar no caminho das reformas se quer fazer desta perspectiva uma realidade’’, afirma o organismo, que reúne membros de 30 países industrializados.
Segundo o estudo, o Brasil tem feito importantes progressos para resolver os problemas ‘‘herdados do passado’’. A estabilidade macroeconômica ‘‘foi reforçada depois da desvalorização do real em 1999, e pela primeira vez em 10 anos, a economia pôde colher os frutos de uma recuperação baseada nas exportações’’.
Em seu informe recente de perspectivas econômicas, a OCDE previu para o Brasil um crescimento de 4% este ano, e de 4,5% no ano que vem. Em 2000, esta recuperação comportou ‘‘um aumento substancial dos recursos fiscais, ao mesmo tempo que atenuou o impacto do ajuste orçamentário’’.
No entanto, adverte a OCDE, ‘‘a dependência do Brasil em relação às fontes de financiamento externo e, em consequência, sua vulnerabilidade em relação aos choques externos continuam sendo marcantes’’. Por isso, o objetivo deve ser ‘‘acelerar as reformas indispensáveis para acompanhar o crescimento em várias áreas nas quais o governo já está trabalhando’’.
Entre as medidas aconselhadas, a OCDE cita ‘‘a reforma das relações orçamentárias dentro do País’’. Além disso, afirma o organismo, ‘‘o sistema de pensões não é viável no aspecto orçamentário, se não for realizada uma redução dos valores e dos privilégios, dos quais o setor público se beneficia’’.
Também aconselha uma maior abertura econômica: ‘‘A melhora da competitividade requer a continuação do esforço de liberalização dos intercâmbios e uma intensificação da competição no mercado interno’’.
O setor financeiro poderia ter ‘‘um papel maior na mediação’’. Para isso deve ser instaurada uma lei regulamentar ‘‘eficaz’’. Em relação aos gastos sociais, é preciso melhorar sua distribuição ‘‘para facilitar a redução das diferenças’’. A OCDE defende o aumento dos investimentos em educação e saúde, áreas que qualifica como ‘‘prioritárias’’.
Como conclusão, a OCDE considera que ‘‘alguns aspectos de distribuição do crescimento são particularmente preocupantes’’ e que ‘‘a adoção de reformas nos setores de agricultura e energia e no plano social são condições para o crescimento duradouro’’.

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