Obrigatória e com os dias contados
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segunda-feira, 30 de abril de 2018
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

O período obrigatório para a vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa começará nesta terça-feira (1º) e vai até o dia 31, naquela que será uma das últimas campanhas do tipo no Paraná. O governo do Estado, apoiado por entidades do agronegócio, pretende reivindicar o status de área livre sem a inoculação em data ainda não determinada, mas que será antes de o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) pleitear a adoção em 2023 para 12 unidades da federação. Mesmo assim, o objetivo é manter a adesão no nível dos últimos anos, acima de 95% de animais vacinados, para fortalecer as bases do controle sanitário regional.
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O diretor presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), Inacio Kroetz, disse em fevereiro deste ano que o órgão solicitará o reconhecimento do Estado como área livre sem vacinação em 2019. No entanto, a recente renúncia de Beto Richa ao governo para concorrer às próximas eleições deu mais esperanças de adiamento do pedido por parte de entidades ligadas à pecuária e que são resistentes ao fim da imunização.
A partir desta terça-feira os criadores devem vacinar animais de até 24 meses de idade e comprovar a aplicação até o dia 31. Em um segundo momento, em novembro, todo o rebanho deverá receber uma dose.
Zootecnista do departamento técnico da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Guilherme de Souza Dias orienta a aplicação da vacina fora do corredor coletivo, com um animal por vez no brete. "É a forma ideal, porque evita abcessos, economiza tempo, garante maior segurança ao aplicador e aos animais", diz.
Souza Dias considera que é preciso que o pecuarista faça o trabalho prévio de disponibilizar seringas e equipamentos, limpos e com manutenção já feita. "Precisamos de uma boa cobertura vacinal, porque somente assim vamos garantir a erradicação da doença no Estado."
Para o gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, é preciso manter o índice de ao menos 95% de animais imunizados no período, que tem se repetido nos últimos anos. Apesar da tendência de buscar o fim da vacinação no futuro, ele diz que a exigência atual é pela aplicação nos animais neste mês e, provavelmente, em novembro. "A de maio de 2019 ainda não foi confirmada", afirma.
O gerente na Adapar cita que a questão é de interesse estadual, mas que a nova gestão no governo ainda não se manifestou sobre o caso. A OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) aceitou no último mês de fevereiro a solicitação do Brasil para o reconhecimento de País Livre de Febre Aftosa com Vacinação. A outorga será anunciada na 86º Assembleia Mundial da OIE, em Paris, a partir do dia 20.
O próximo passo será lutar pelo título de excelência sem a vacinação, que impede a comercialização de carne para países como o Japão, onde entidades sanitárias consideram que a necessidade da imunização indica que há risco de infecção por vírus na região produtora. "A grande vantagem para o Paraná será a possibilidade de conquistar alguns mercados mais exigentes antes de outros estados", explica Gonçalves Dias.
Outro desafio citado pelo zootecnista da Faep é a economia financeira. "São 9,3 milhões de animais vacinados neste ano no Estado e 30% deles toma duas doses ao ano. Isso tem um custo", diz Souza Dias.
PLANEJAMENTO
O zootecnista conta que a Faep é favorável à retirada da vacinação o quanto antes, desde que cumpridas as necessidades técnicas, como a implantação de postos de fiscalização em locais de acesso às divisas com outros estados. "Foi feita uma auditoria orientativa que identificou que o Paraná tem uma das estruturas sanitárias mais robustas do Brasil", diz.
Mesmo que a decisão fosse pelo fim da vacinação em bloco, em 2023, Souza Dias considera que o Paraná precisaria se precaver. "Por exemplo, se uma propriedade há 2 mil quilômetros do Paraná identificasse um problema e não tivermos estrutura para barrar a entrada de animais, também seremos prejudicados", conta. Ele diz que, dos 27 postos necessários, 23 já estão prontos, um quase finalizado e três em projeto.
E diz ainda que a resistência é pequena. "São regiões pontuais, com pecuaristas que dependem do comércio de animais vindos de outros estados, mas que representam menos de 2% do volume total de animais que existem aqui", projeta. O zootecnista usa como base um levantamento da Faep de todas as guias de transporte de gado de janeiro a setembro de 2017, que chegava a 0,7% do volume estadual.


