Curitiba - Há um mês do encerramento do prazo previsto para a conclusão das obras de segurança nos portos que escoam cargas para o mercado externo, o Porto de Paranaguá não dá indicações de que as obras necessárias serão feitas. O presidente do Conselho da Autoridade Portuária (CAP), Hélio José da Silva, confia que os investimentos deverão ser realizados, apesar da preocupação com o pouco tempo que resta.
As obras devem ser feitas até feitas até 31 de dezembro, conforme prevê a Organização Marítima Internacional (IMO), cujo protocolo foi assinado pelo Ministério da Justiça. A IMO determinou uma nova ordem de segurança nos portos que lidam com cargas internacionais, desde os atentados terroristas de 11 de setembro.
As obras de adaptações nos portos deveriam estar concluídas em 30 de junho, mas como a maioria deles não cumpriu as determinações, o prazo foi prorrogado para o final do ano. Além de Paranaguá, os portos do Rio de Janeiro (RJ), de Santos (SP), de Vitória (ES) e do Rio Grande (RS) também encontram-se atrasados na implantação dos sistemas de segurança. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os portos de Sepetiba (RJ), Tubarão (ES), Itajaí (SC), São Francisco do Sul (SC), Pecem (CE) e Suape (PE) finalizaram as obras de segurança.
Em Paranaguá, faltam investimentos em obras e instalação de equipamentos para identificação de pessoas e controle de cargas na faixa portuária, disse o representante da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) no Cap, Nilson Hanke de Camargo. Devem ser construídos muros de proteção, instaladas câmeras de vídeo e catracas com dispositivo para leitura de crachás magnéticos dos funcionários. ''Não são obras muito significativas, mas devem ser feitas''.
A preocupação é que na faixa portuária, onde devem ser instalados os dispositivos de segurança, ainda permanecem cerca de 15 cantinas que resistem em sair do local. Segundo Camargo, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) já acenou com a remoção dessas cantinas para o pátio de triagem, mas a iniciativa foi abortada por um movimento dos cantineiros que recorreram à Justiça para que não sejam desalojados.
Os portos que não concluírem as obras de segurança no período recomendado correm o risco de não serem escalados pelos armadores. Mesmo que os navios venham a Paranaguá, ainda correm o risco de não serem aceitos em outros portos, porque podem representar ameaça à segurança.
Segundo Camargo, a Faep está preocupada com a falta de investimentos no Porto de Paranaguá. No ano passado, a safra foi bem menor e já houve transtornos no escoamento da produção. Este ano, com previsão de safra maior, aumenta a possibilidade de estrangulamento no escoamento da safra porque as instalações do porto permanecem as mesmas do ano passado. Consultada, a APPA não se manifestou.

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