A Brascan Energética, do Rio de Janeiro, deve iniciar no primeiro semestre do ano que vem a construção de uma nova usina hidrelétrica em Campo Mourão. A Usina de Salto Natal será construída a cerca de cinco quilômetros da atual usina Mourão, no rio Mourão, que fica a 10 quilômetros da cidade. O início das obras depende apenas da conclusão de alguns projetos e da licença ambiental do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
A nova hidrelétrica terá uma capacidade para produzir 14 megawatts, quase o dobro dos 8,5 megawatts de potência da usina Mourão, inaugurada pela Copel em 1964. A futura hidrelétrica será construída na mesma região onde a Copel havia planejado, ainda na década de 60, a usina Mourão 2, que nunca saiu do papel. O gerente reginal da Brascan, João Robert Coas, disse ontem que a ‘‘grande diferença’’ da nova usina com a atual será a otimização.
‘‘Apesar de produzir mais energia, a usina Salto Natal terá um reservatório 20 vezes menor do que o da usina atual’’, explicou Coas. O reservatório terá uma área de 0,6 km2, contra 11,3 km2 do lago formado pela usina Mourão. ‘‘Será uma usina praticamente sem impacto ambiental’’, ressatou o gerente da Brascan. Segundo ele, a área alagada terá 60 hectares enquanto serão reflorestados 95 hectares numa área de 100 metros a partir das margens do futuro lago.
De acordo com Coas, a maioria da área alagada atualmente é ocupada por pastagens. Essas áreas já estão em processo de aquisição. O gerente da Brascan disse que apenas o final do reservatório vai ‘‘encostar’’ numa área que hoje pertence ao Parque Estadual do Lago Azul, composto por uma área de 500 hectares de mata mais a lâmina d’água do reservatório da usina Mourão. ‘‘Será atingidada apenas uma área de 0,4% do parque’’, explicou.
Depois de iniciada, as obras da nova usina devem ficar prontas em 18 meses. Isso significa que ela poderá entrar em operação até o final de 2002. Coas disse que ainda não é possível informar o valor da obra. ‘‘Muita coisa ainda está sendo negociada’’, disse. Ele explica ainda que a construção de pequenas centrais hidrelétricas (PCH) apresenta uma série de vantagens em relação às usinas de grande porte.
‘‘As PCHs têm um baixo impacto ambiental, são construídas num curto espaço de tempo e podem se beneficiar da política de incentivos para o setor’’, explicou Coas. As hidrelétricas prontas até 2002, por exemplo, ficarão isentas de pagar a tarifa de transporte nas linhas de energia. A energia elétrica produzida pela usina Salto Natal vai entrar na rede da Copel e será comercializada para o sistema elétrico. ‘‘Poderá ser a própria Copel ou não’’, disse Coas.
A Folha tentou ontem, durante todo o dia, falar com o chefe de licenciamento do IAP, Pedro Dias, mas ele não pôde atender a reportagem e não retornou os telefonemas até o fechamento desta edição. A construção da hidrelétrica, porém, já tem licença prévia do IAP desde 1998. A reportagem também apurou que o órgão prevê ‘‘ganho ambiental’’ com a obra, uma vez que a área a ser reflorestada será maior que a parte alagada.

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