Milton DoriaSolenidadeO prefeito Antônio Belinati hasteia a bandeira da Itália, ao lado do empresário Alberto MantovaniO italiano Alberto Mantovani e o empresário londrinense José Eduardo Cabral, proprietário da Maracaju Veículos, assinaram ontem uma carta de intenções para a instalação de uma indústria de reciclagem de pneus velhos na cidade. O documento será entregue à Comunidade Européia, solicitando financiamento. Para a primeira fase do projeto - o estudo de viabilidades - a Comunidade pode liberar até US$ 300 mil. A parceria foi promovida pelo Programa Paraná-Europa.
A primeira indústria brasileira de reciclagem de pneus deve ser em Londrina. Os dois empresários já falam em construir novas unidades no País a partir desta fábrica. Presidente da Federação das Indústrias da Emília-Romagna, na Itália, Mantovani explica que, embora este tipo de indústria não gere grande número de empregos diretos - por ser de alta tecnologia, acaba gerando muitos empregos indiretos já que atrai fábricas consumidoras deste tipo de matéria-prima como de bolas de tênis e pisos de borracha.
O local, o número de funcionários, o porte e a quantidade de produção da empresa serão definidos pelo estudo, que começa o mais rápido possível, segundo Cabral. ‘‘As obras devem ser iniciadas dentro de um ano’’, diz. O investimento na unidade de Londrina variará de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões.
Mantovani, que é proprietário da Mantovani Benne, uma indústria italiana de reciclagem de pneus criada há cinco anos, afirma que a tecnologia é nova em todo o mundo. Ele conta que, somente há um ano, conseguiu chegar ‘‘ao ponto máximo de desenvolvimento da tecnologia’’. ‘‘Conseguimos obter uma granulação ideal, que é de 0,5 milímetros’’.
A indústria transformará pneus velhos num pó de borracha de várias granulações que pode ser usado para melhorar a pavimentação, na fabricação de produtos de borracha como pneus para carroças, solas de sapatos, entre outros, e para ser queimado, produzindo energia nas indústrias de cimento. ‘‘Misturado à pedra britada, o material absorve 50% da vibração produzida pelo carro em contato com o asfalto, além disto dá mais aderência e impermeabilidade à pavimentação’’, diz Mantovani.
Segundo o prefeito Antonio Belinati, não houve nenhuma contrapartida da prefeitura até agora. ‘‘Os italianos estão investindo aqui porque acreditam no potencial da cidade’’.
A fábrica de Londrina será a terceira unidade de Mantovani. Além da Mantovani Benne em Módena, no Norte da Itália, que produz 20 mil toneladas/ano, ele inaugura no próximo mês uma unidade em Pescara, no Centro da Itália, com previsão para produzir 30 mil toneladas por ano.
Centro de Exposições Mantovani também participou ontem do lançamento do Centro Internacional de Exposição Mecânico, Agroindustrial e Agropecuário de Londrina, no Parque de Exposições Ney Braga.
O acordo entre a Sociedade Rural do Paraná, Programa Paraná-Europa e a Federação das Indústrias da Emília-Romagna foi assinado anteontem e prevê o empenho de cada uma das partes na viabilização do empreendimento. Marco Veronesi, diretor do Paraná-Europa, diz que a área onde deverá ser construído o Centro ainda está sendo estudada. ‘‘É um projeto de cerca de US$ 30 milhões para daqui há três anos. Estamos dando o primeiro passo oficial para a construção do Centro Internacional, que irá divulgar as tecnologias italianas do setor. Neste espaço, queremos reunir da genética das sementes aos maquinários utilizados nas colheitas’’, conta.
Também participaram do lançamento José Luiz Neme, presidente da Sociedade Rural, Remo Veronesi, presidente do Programa-Paraná Europa, Gabriella Montanari, assessora da Associação Industrial de Ravenna, Gianni Zanasi, presidente da Associação Industrial de Reggio Emília e João Milanez, vice-presidente do Paraná-Europa.

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