O coordenador da obra do gasoduto Brasil-Bolívia na região Sul, engenheiro Carlos Alberto Guillera Moreira, afirmou que ‘‘é impossível desviar o gasoduto’’ para a região Norte do Estado. Ele assegurou que somente com uma demanda garantida poderia ser estudada a hipótese de se levar um ramal do gasoduto até a cidade pólo de Londrina, onde haveria maior potencial de consumo. O consórcio Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil Bolívia (TBG), que constrói o gasoduto, até agora não manifestou interesse pela construção do ramal, pois não encontrou potencial suficiente de comercialização do gás natural.
O gerente da divisão sul da TBG, Arno Duarte Filho, disse que o interesse só existe se ficar comprovada a demanda. Se houver mercado para venda do gás, o ramal sairia da cidade paulista de Bauru, passaria por Ourinhos até chegar em Londrina. Prefeitos do interior de São Paulo fazem um levantamento junto às empresas para saber do potencial de consumo.
A demanda necessária mínima é de 1 milhão de metros cúbicos ao dia, mas Londrina tem um potencial de gasto que chega a 170 mil metros cúbicos. Junto com o município de Maringá, o consumo sobe para 300 mil metros cúbicos.
O engenheiro Carlos Moreira afirmou que se o ramal se restrigir ao Estado, terá de ser executado pela Companhia Paranaense de Gás (Compagás). ‘‘A Compagás também precisa analisar se há ou não potencial de consumo. Vale lembrar ainda que a construção de um ramal demoraria de dois a três anos’’, afirmou. A Compagás fez uma pesquisa entre 17 empresas na região de Londrina e constatou que ainda não há consumo suficiente.
Moreira disse que até outubro o gasoduto Brasil-Bolívia deve chegar ao Paraná, vindo do interior paulista e entrando no Estado pela região Nordeste. As obras já estão no município de Itaporapuã Paulista, perto de Paulínia, faltando oito quilômetros para atingir a divisa com o Paraná. Pela região Sul do Estado faltam 16 quilômetros para o gasoduto entrar no Estado. As obras estão no município de Garuva.
No Estado, o gasoduto terá 230 quilômetros e atravessará 13 municípios. O traçado básico levou em conta a preservação ambiental e potenciais consumidores. Em todo o País, o gasoduto terá 3 mil quilômetros e vai consumir 250 mil tubos de aço. Ele vai transportar 8 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume que poderá dobrar. A demanda inicial será de 30 milhões.

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