O vale tudo das operadoras na guerra pelos clientes
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domingo, 31 de agosto de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A portabilidade numérica entra em vigor hoje em todos os municípios paranaenses da área do DDD 43. Mais de 1,3 milhões de assinantes da telefonia móvel da região serão beneficiados pela nova regra, que vai permitir que usuários da telefonia fixa e móvel troquem de operadora sem perder o seu número de telefone. Esta mobilidade, proporcionada pela regra, vai contribuir para acirrar ainda mais a concorrência entre as operadoras. Preços mais baixos e promoções devem continuar sendo usados pelas empresas como chamariz para atrair clientes. Além da área do 43, a portabilidade vai beneficiar outros 7 DDDs, atingindo cerca de 10% do total de assinantes do País.
''A principal vantagem é para os assinantes que não estejam satisfeitos com os serviços prestados pela sua operadora e têm dificuldades para se desvencilhar. Desta forma, eles poderão migrar para outra (empresa) levando seu número, evitando mudanças de seu cadastro, cartões de visita e publidade'', avalia o consultor em Telecomunicações Mário Jorge de Oliveira Tavares. As regras foram definidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) através do Regulamento Geral de Portabilidade, aprovado em março do ano passado, e a previsão é que até março do próximo ano os usuários de todo o País sejam atingidos.
No Paraná, a próxima região a ser beneficiada é a do DDD 44, no Noroeste, com prazo de vigência a partir de novembro. Tavares explica que o assinante interessado em trocar de operadora deve apenas solicitar à prestadora que pretende contratar. ''O prazo de atendimento é de cinco dias úteis em data e horário previamente acertado, mas terá uma margem de tolerância de duas horas, período em que o telefone poderá ficar mudo'', informa. Ele acrescenta que após o primeiro ano de implantação da portabilidade este prazo será reduzido para três dias úteis. No caso de cancelamento, o prazo é de dois dias úteis.
Entre as operadoras, a portabilidade está sendo encarada com dois adjetivos: ameaça ou oportunidade. Para o presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos, a nova regra pode ser considerada uma ameaça, principalmente, na telefonia fixa onde a operadora tem cerca de 90% do mercado. Na celular, a prestadora tem 25% do bolo de assinantes. ''Já deixamos a liderança (na celular) depois que as outras (operadoras) chegaram. Todas as vezes que entram novos concorrentes no mercado há mudanças em costumes e conceitos'', avalia. Ele acrescenta que as outras operadoras têm campanhas de marketing agressivas mas que, mesmo assim, esse não deverá ser o foco da Sercomtel.
''Vamos continuar insistindo no nosso histórico de qualidade. Temos a tecnologia mais atualizada disponível, aliás, nunca deixamos de investir em atualização tecnológica e na qualidade dos serviços e do atendimento'', afirma Campos. Tanto que a operadora local deverá disponibilizar a tecnologia 3G a partir do final de novembro. Outro fator lembrado por ele, que indica a qualidade dos serviços prestados, é que pelo 15º mês consecutivo a Sercomtel obteve o melhor índice de aprovação do País. Este resultado é medido pela quantidade de reclamações a cada mil assinantes. Segundo ele, foram montadas duas equipes de trabalho.
Uma delas terá foco na defesa dos atuais clientes que, porventura, decidirem trocar de operadora e, a outra, vai desenvolver ações mais agressivas para tentar convencer clientes que deixaram a operadora há alguns anos. ''Nossa arma será a fidelidade dos usuários e a nossa qualidade. Vamos continuar fazendo por merecer a confiança dos nossos clientes e não vamos entrar em aventuras de dar coisas de graça'', observa o presidente. Ele acrescenta que a Sercomtel é uma empresa local e, por isso, aqui são gerados empregos, receitas, impostos e investimentos. Já na região, onde a operadora iniciou operações na telefonia fixa, ele avalia a portabilidade como positiva porque a empresa terá a chance de angariar novos clientes empresariais que não querem mudar o número do telefone do negócio.


