Curitiba A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou nesta semana que vai colocar em consulta pública o novo Regulamento Geral de Portabilidade, ou seja, a proposta que permite o usuário manter o mesmo número telefônico quando mudar de operadora. Com essa possibilidade deve aumentar a migração de clientes de uma empresa para outra. Além disso, a previsão dos especialistas da área é que aumente a competitividade entre as empresas.
''O consumidor vai ter mais flexibilidade'', disse o mestre em comportamento do consumidor e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Aldin Freitas. Segundo ele, muitas pessoas ''não trocam de operadora e ouvem desaforo das empresas para manter o número''.
Ele destacou que, se a proposta da Anatel entrar em vigor, o consumidor passa a ser dono do seu número de telefone. ''Hoje é só um empréstimo'', disse. Freitas acredita em um aumento da migração de uma operadora para outra. Com isso, as empresas terão que melhorar a qualidade do atendimento.
De acordo com o analista, os maiores entraves para o consumidor são as condições de negociação que não são boas, especialmente, a negociação financeira. Ele destacou que hoje, as operadoras usam a estratégia de ter uma variedade grande de tarifas que faz o consumidor perder a noção de quanto custa uma ligação.
O advogado empresarial, Tarcísio Araújo Kroetz, também acredita em aumento de concorrência entre as operadoras. Ele acredita que com a mudança proposta pela Anatel, as empresas terão que trazer vantagens em tecnologia, preço, qualidade e atendimento ao cliente. ''A prestação de serviço vai fazer a diferença e haverá migração maior do consumidor de uma operadora para outra'', disse. Ele prevê que as companhias busquem campanhas para premiar a fidelidade dos clientes.
A assessora jurídica do Procon-PR, Marta Favreto Paim, disse que as empresas vão ter que fazer o máximo para manter o consumidor. Ela lembrou que, desde a privatização, a telefonia tem ocupado o primeiro lugar em reclamações no Procon. Na telefonia fixa, o maior volume de reclamações está relacionado à falta da discriminação das ligações locais na conta e até serviços de internet que são cobrados na fatura quando a pessoa não contratou o serviço. No caso da telefonia celular, o questionamento é em relação a quantidade de ligações cobradas. Nos celulares pré-pagos, os consumidores reclamam da imposição de ter que colocar o créditos até determinada data e dos defeitos dos aparelhos.
De janeiro a agosto de 2006, o Procon-PR recebeu 5.580 reclamações sobre telefonia fixa contra 6.841 reclamações no mesmo período de 2005. Na telefonia celular foram 2.790 reclamações de janeiro a agosto de 2006 e 3.166 no mesmo período de 2005.

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