O técnico André Pessoa, na SRP: ano bom para agricultura
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terça-feira, 20 de junho de 2000
Da Redação 
Apesar dos problemas climáticos, a próxima safra de verão, a safra 2000/2001, será melhor para os agricultores. Entre outros fatores, devem concorrer para esta boa fase: a) retomada da oferta de emprego com consequente aumento do consumo, b) queda das taxas de juros, c) maiores chances no mercado externo.
A previsão é do engenheiro agrônomo André Pessoa, da Agroconsult, de São Paulo. Ele também previu aumento nos investimentos na agricultura e um recorde nas vendas de fertilizantes.
Segundo Pessoa, o mercado de insumos prevê crescimento de 10% para fertilizantes (15,1 milhões de toneladas), um novo recorde. Na safra que está terminando, somada com a safrinha, a demanda deve ficar em 13,7 milhões. Maior volume até agora ocorreu em 1998 (14,7 milhões de t).
A maioria das empresas de insumos trabalha com metas mais ambiciosas do que em anos anteriores.
Estamos numa trajetória de redução de taxa de juros desde o ano passado. Embora alto, os juros hoje são relativamente baixos para os padrões brasileiros, afirma.
André Pessoa falou na Sociedade Rural do Paraná, na semana passada, para empresários e técnicos da região. Ele inclui as exportações como fator favorável ao mercado. Pessoa tem mestrado em economia agrícola pela Esalq com especialização em Negócios Internacionais na Universidade de Berkeley na Califórnia. A Agroconsult presta assessoria para a Manah, Fosfértil, Monsanto, Dow, Banco do Brasil, BM&F entre outras. André Pessoa é membro da câmara de milho e soja da BM&F e diretor da Associação Brasileira de Marketing Rural.
Ao abordar o poder de compra do setor, o especialista lembrou que os preços do milho, soja e cana foram favoráveis. A soja apesar de viver um momento de preços baixos, já teve picos de alta, antes de junho. O milho continuará com
preços em alta.
Perguntado sobre o plano de safra, Pessoa disse que a situação é favorável independente da política oficial, mas é necessário que os recursos previstos cheguem ao produtor.
Diferente do ano passado, em que a renda o setor agrícola foi transferida para outros setores, o técnico prevê aumento da renda real do produtor. Ano passado houve crescimento da renda mas as despesas cresceram mais do que a renda, resultando em queda do poder de compra. Houve o impacto do ajuste cambial nos fatores de compra. Este ano os custos devem crescer menos, sem a influência da variável cambial. Isto significa que o poder de compra do produtor vai apresentar crescimento; pode-se esperar maior volume de aquisições.
A trajetória de baixa das taxas de juros faz com que as indústrias entrem comprando a matéria-prima em quantidade maior. Ano passado, com juros altos, as compras eram feitas da mão para a boca.
A palestra sobre Análise da Comercialização da safra 99/00 e Perspectivas para a Safra 00/01 de soja e milho foi promovida pela Sociedade Rural do Paraná e Manah, empresa do Grupo Bunge, através do supervisor regional, engenheiro agrônomo Ricardo Cardoso.


