Os olhos de Marli Romualda Silva, 41 anos, refletem a felicidade. E, neste caso, a felicidade tem a forma de uma casa, novinha, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, cujas chaves serão entregues hoje nas suas mãos. Realizar o sonho da casa própria está na ''agenda'' da vida de quase todas as pessoas e para Marli isso está sendo possível graças a um projeto de responsabilidade social pioneiro no País, realizado pela empresa onde trabalha, a LCA Alimentos, com sede em Sertanópolis, que também beneficiou outros 89 funcionários.
O projeto começou a ser esboçado em 2006, quando os diretores da empresa perceberam que muitos funcionários não tinham casa própria. Em 2007 a indústria, com cerca de 200 empregados, decidiu investir R$ 128 mil para comprar um terreno de 30 ®MDBO¯®MDNM¯mil metros quadrados, localizado na saída de cidade, e mais R$ 40 mil para viabilizar o loteamento junto aos órgãos competentes. Além disso, a empresa ainda fez a ''ponte'' entre funcionários e Caixa Econômica Federal e conseguiu viabilizar um financiamento. Para dar andamento ao projeto, a LCA doou o terreno à Associação dos Funcionários da empresa que passou a cuidar das negociações.
Segundo Edson Oscar Siqueira, gestor nacional de vendas da LCA, o projeto surgiu também do interesse da empresa em mostrar o respeito que sente pelo seus colaboradores. ''Engana-se quem pensa que a relação entre empresa e empregado é apenas de trabalho. Existe uma relação social'', acrescenta. Ele destaca que essa iniciativa foi, até agora, o maior projeto social da empresa: facitar o acesso dos empregados à moradia. ''Talvez, sem esse apoio, muitas dessas famílias nunca conseguissem ter a casa própria'', frisa.
O loteamento foi dividido em terrenos de aproximadamente 220 metros quadrados cada um. As casas foram planejadas em três tamanhos - que variaram de 44 a 52 ®MDBO¯®MDNM¯metros quadrados - com um, dois ou três quartos. As plantas foram projetadas pelo engenheiro civil que presta serviços para a LCA. E a escolha dos 90 funcionários que foram beneficiados com a iniciativa seguiu alguns critérios, entre eles, quem pagava aluguel, morava de favor ou era casado e ainda não tinha casa própria. Foram contempladas pessoas com renda entre 1 salário mínimo e R$ 1,7 mil.®MDBO¯ ®MDNM¯
Uma das contempladas foi Marli. Atualmente com renda em torno de R$ 500, ela afirma que se não fosse a iniciativa da empresa talvez nunca conseguisse ter sua casa própria. A copeira, que mora com a mãe em uma casa emprestada pelos irmãos, conta que já havia tentado outras formas de conseguir um financiamento habitacional mas sem sucesso, inclusive de casas populares.
''Não tinha conseguido porque a renda era baixa'', lembra. ''Agora, sinto uma emoção muito grande em saber que algo vai ser realmente meu'', revela, contando que desde que o residencial começou a ser construído passa por lá para dar uma olhadinha na casa pelo menos umas três vezes por semana. ''Ficava paquerando a minha casa. Agora já vou poder entrar''. Parte do valor da casa de Marli foi subsidiada pelo governo e ela vai pagar em torno de R$ 120 de prestações por mês, durante 20 anos.

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