O salário mínimo e a desigualdade
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Das agências 
São Paulo - O aumento no valor do salário mínimo de R$ 350 para R$ 380 definido nesta semana pelo governo federal tem um impacto direto e positivo no índice de desigualdade na distribuição de renda, na opinião da professora de economia Maria Cristina Cacciamali, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP).
''O primeiro efeito (do novo aumento) seria sobre o aumento do consumo dos grupos menos favorecidos em termos de renda e o segundo aspecto seria sobre a diminuição do leque salarial no longo e médio prazo'', disse ela, em entrevista à Agência Brasil.
Caso seja aprovado no Congresso, o novo valor do mínimo, fechado esta semana entre o relator da Comissão Mista de Orçamento, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e os ministros da Previdência, Nelson Machado, e do Trabalho, Luiz Marinho, deve passar a vigorar a partir de abril de 2007, para que, em maio, o trabalhador receba o novo valor.
Segundo a economista, um aumento menor do salário com a data de vigora antecipada para janeiro de 2007 seria economicamente melhor, pois resultaria em um menor impacto na inflação. ''Mas, do ponto de vista do planejamento das contas públicas isso é praticamente impossível, porque os órgãos não estão preparados para começar o pagamento a partir de janeiro'', diz a professora da USP.
De acordo com Cacciamali, seria muito positivo atrelar os próximos aumentos de valor do salário mínimo à produtividade média do trabalho no país. ''É possível fazer uma associação entre o crescimento do PIB (produto interno bruto) per capita e o aumento do salário mínimo. Poderia ser um decreto pré-programado em que, cada vez que se conhecesse, ao final de cada ano, o aumento do PIB per capita, esse aumento fosse repassado ao aumento do salário mínimo,'' sugere ela.
Renda - A renda do brasileiro caiu 2,7% de 1995 a 2005, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na quarta-feira. No entanto, o rendimento médio de 2005 em relação a 2004 cresceu 4,6%.
Além disso, o IBGE informa que houve aumentos para os empregados sem carteira e os trabalhadores domésticos. O rendimento médio dos empregados sem carteira subiu 5,1%, passando de R$ 466,40 em 1995, para R$ 490,20 em 2005. No caso dos trabalhadores domésticos, o rendimento médio passou de R$ 358,10 para R$ 401,80, um aumento de 12,1%. O crescimento do rendimento nessas categorias foi mais expressivo entre as mulheres.


