Anésio Ferreira, 75 anos. Nascido na paulista Cajuru, perto da divisa com Minas Gerais, construiu a vida no Paraná, em Lobato (60 km ao norte de Maringá), cidade de 4,2 mil habitantes vizinha a Santa Fé, onde está há 40 anos, mexendo com gado e comprando cavalos para revender aos frigoríficos.
Ele conta que sempre foi homem do sítio, da lida com o gado, até que apareceu a oportunidade de começar a trabalhar com os cavalos para abate, quando o Frigorífico King Meat se instalou em Apucarana. ''Fui eu que levei o primeiro lote de animais para lá'', recorda. ''Quando fiquei sabendo que estava começando um frigorífico de cavalos na região fui ver como era. Daí, entrei nesse ramo'', completa.
No início da atividade, na década de 1970, ele comprava cavalos no Norte e Noroeste do Paraná. Atualmente, vai longe para encontrar quem esteja disposto a vender equídeos para frigorífico. ''Tenho ido até Cajuru. Aqui na região já não se encontra animais'', explica.
O trabalho de Ferreira funciona assim: na base do ''olhômetro'', ele avalia quanto vale o animal, dependendo do peso. Paga de R$ 150 a R$ 400. Depois ele leva os equídeos para a sua propriedade, de 23 alqueires, em Lobato. Lá os animais descansam da viagem - em torno de dois dias - e depois, em lotes de 15, são levados para o frigorífico, atualmente o Santa Fé.
Ele conta que entrega, por mês, em torno de 300 animais para o abate, mas esse volume já foi muito maior, em torno de mil animais por mês, no tempo em que chegou a contar com quatro grandes caminhões fazendo o transporte dos equinos.
Sem revelar qual é a sua margem de lucro na hora da revenda para o frigorífico, Ferreira conta que não são todos os cavalos que ele compra que vão para o abate. ''Acontece muito de junto com os animais que vão para o corte ter algum que é bom para o serviço, com isso acabo ganhando um dinheirinho melhor. Muitas vezes, o sitiante que está sem dinheiro prefere, no aperto, vender um cavalo do que um boi'', explica.
Questionado se enfrenta algum tipo de preconceito por levar cavalos, animais vistos pelos brasileiros como sendo de extimação, para o abate, ele diz que não. ''Só no começo que eu sofri bastante porque me acusavam de roubar os animais. Hoje em dia não tenho nenhum problema. Sou comprador de cavalos e não tenho nada a esconder'', ressalta.
Para trabalhar, Ferreira tem de obedecer a normas sanitárias. Ele possui uma Guia de Trânsito Animal (GTA) que lhe permite levar os equídeos de um lugar para o outro e comercializar com o frigorífico.
De acordo com Djalma Atanásio da Silva, chefe da Divisão de Inspeção de Carnes e Derivados de Ruminantes, Equídeos e Avestruzes do Ministério da Agricultura, dentro de um frigorífico o rigor com o abate, do ponto de vista de higiene e bem estar do animal, é intenso para atender às exigências do mercado europeu.
Silva, entretanto, vê a necessidade de melhoria na cadeia produtiva do cavalo. ''Já sugeri que antes do abate os equídeos passem por um período de engorda, pois se trata de um animal descartado, sem condições para o trabalho e por isso tem a carcaça irregular'', destaca Silva. (W.S.)

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