Aproxima-se o período de colheita da soja. Já se colheu o feijão e algum milho. Os campos começam a ser liberados para o plantio das culturas de inverno e o produtor, angustiado, pergunta-se: plantar o quê?! Trigo, canola ou arriscar nas safrinhas do milho, girassol, feijão e soja? Quem sabe, melhor seria plantar pastagens de inverno e engordar bois na entresafra!
O Sindicato Rural de Londrina, sem ter as respostas para estas inquietações dos produtores, reuniu em sua sede, em uma tarde de fevereiro, técnicos da Embrapa, Iapar, Emater e Deral, para uma análise do tema, buscando algumas idéias que possam ser aproveitadas pelos produtores para reduzir seus riscos e prejuízos.
Desse debate, ficou claro que não existe uma receita mágica que possa ser oferecida aos produtores para afastá-los completamente dos riscos de uma atividade que é, e sempre foi, de risco, com o agravante, agora, de não estar recebendo do Poder Público, a atenção que o setor agrícola mereceu no passado e, entende, deveria continuar merecendo.
Como produto do encontro, conclui-se que o trigo ainda se constitui na melhor opção de inverno, para cultivos a partir de 15 de março, apesar dos tradicionais problemas que enfrenta, acrescidos, nesta safra, pela falta de sementes, problema que será mais ou menos acentuado, em função do índice de desiludidos ex-plantadores de milho safrina, que migrarem para o trigo. O mercado é francamente comprador desse cereal, embora o agricultor tenha, infelizmente, que competir com o trigo argentino, produzido a um custo muito menor.
A canola foi considerada, também, boa opção para o inverno, desde que sua comercialização seja garantida por algum comprador, previamente ao seu plantio. Foi informado, a propósito, que a Cocamar possui uma indústria de processamento de canola, estando, inclusive, a estimular sua produção na região de Maringá. Poder-se-ia averiguar a veracidade desse fato e, de haver o interesse dessa industria na aquisição de uma eventual safra de canola, apoiar os produtores interessados na sofisticada tecnologia exigida para sua produção. A Cocamar teria condições de oferecer esse apoio?
O milho safrina foi, e continua sendo, a melhor opção técnica para plantios nas áreas liberadas até 15 de março, quando a produtividade costuma ser bem maior que após essa data. Neste ano, contudo, pode não ser um bom negócio. A superprodução da safra que estamos colhendo deprimiu os preços de mercado e mais plantios, poderão resultar em preços ainda menores, fazendo com que as produções da safra atual e safrinha somadas, rendam ao produtor menos dinheiro do que a safra principal, isoladamente. No entanto, se algum milho for plantado, que seja de agora até 15 de março, para fugir dos riscos das geadas.
O feijão safrina, também, poderia constitui-se numa excelente opção para algumas regiões do Paraná (Vale do Ivaí, por exemplo ?), mas não parece ser boa alternativa para a região de Londrina. O Girassol safrinha, embora cultivado em pequena escala no Paraná, foi indicado como mais uma boa opção para plantios até 5 de março. O mercado dispõe de sementes de híbridos e variedades (falar com a Embrapa Soja). No entanto, igual que a canola, precisa ter sua comercialização contratada previamente ao plantio. Novamente, a Cocamar dispõe de uma unidade industrial para processar o girassol e poderia estar interessada na sua produção regional. Hoje ela importa a matéria prima de Goiás, onde já são cultivados mais de 60 mil hectares, com estímulos de agroindústrias locais. Para dar um exemplo, fomos informados, por um dos presentes à reunião, que a unidade processadora de girassol da Caramurú, localizada em Itumbiara, Goiás, está estimulando a produção local da oleaginosa, contratando com os produtores, a oito dólares por saca de 60 kg, a eventual colheita.
Soja safrinha? Foi outra opção considerada. É uma alternativa de alto risco e somente viável com variedades apropriadas para essa época. Deverão ser materiais muito tardios (normalmente cultivados na região dos Cerrados, na época normal) e deverão ser semeados antes de 15 de março. Mas, cuidado: um campo de soja verde, logo após a colheita da safra principal, pode significar uma revoada de grande número de percevejos do cultivo anterior, inviabilizando sua produção, mesmo com a aplicação frequente de inseticidas. Mesmo em áreas onde se cultivou pouca soja na safra de verão, os percevejos poderão aparecer, embora , teoricamente, em menor intensidade.
Optar por pastagens de inverno (aveia?), pensando em engordar bois na entressafra, poderia ser outra opção viável, para quem não se decidiu por nenhuma das alternativas anteriores. Isso, desde que o preço da arroba do boi gordo no período invernal, seja mais atraente que a do período estival.
Infelizmente, não estamos oferecendo nenhuma receita infalível para uma agricultura que nos surpreende, todos os anos, com eventos inesperados. Aqui estão, apenas, algumas opções que você, produtor, deverá analisar à luz da sua realidade e decidir por aquela que, aparentemente, pareça ser a mais rentável.
- EDSON PONTI é presidente do Sindicato Rural de Londrina

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