O que o cheque tem de especial?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Da Redação 
O cheque especial é uma linha de crédito pré-aprovada que custa caro. Os gerentes de banco oferecem o produto como se ele fosse indispensável. Na verdade, o cliente deve ficar atento para não cair em uma armadilha. Os custos deste conforto são elevados, e raramente o consumidor está plenamente ciente deles.
Reportagem publicada na edição nº 3 da revista Dinheiro & Direitos (agosto/setembro), da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor alerta que as condições de uso do cheque especial - como taxas, prazos e renovação - variam de banco para banco e podem mudar de uma hora para outra sem aviso prévio ao cliente.
A Proteste realizou uma pesquisa com produtos oferecidos por 14 instituições e apurou que, só de juros nominais - os que são informados pelo banco - o consumidor pode pagar até 9,95% ao mês, o que representa 212% ao ano. Entre os cheques especiais analisados na pesquisa os juros nunca são inferiores a 150% ao ano.
Além dos juros há a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e às vezes, de uma taxa de abertura de crédito (TAC). O IOF é de 0,125% ao mês e recai sobre empréstimos de qualquer natureza. Ele é cobrado até mesmo quandos os juros são isentos, caso dos 10 dias sem juros oferecidos por uma instituição financeira.
Em síntese, o cheque especial pode ser um aliado ou um inimigo das finanças. A diferença está na forma como é utilizado. O uso cheque especial é válido como saída para uma emergência eventual. No entanto, quem entra no limite do banco todos os meses está em maus lençóis.
A Proteste lembra que todas as vezes que o correntista usa o cheque especial para cobrir despesas de rotina está encurtando o salário do mês seguinte, o que irá obrigá-lo a recorrer ao cheque especial novamente. Aí está formada a bola de neve. Por exemplo: se a pessoa utiliza R$ 400 do cheque especial todo mês, no final do ano, a dívida com o banco terá se transformado em R$ 1.004, considerando uma taxa média de 169% ao ano.
Para colocar o orçamento em ordem, a Proteste sugere algumas decisões drásticas. Para quem tem aplicações uma opção é o resgate. Vale também vender algum bem para cobrir o rombo. Em último caso, troque a dívida por outra mais barata, como um empréstimo pessoal, que têm taxas de 5% ao mês. No caso do consignado, elas são ainda menores.


