O que levar em conta na hora de investir
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A aceleração da inflação além das expectativas nos dois últimos meses e as dúvidas sobre a trajetória dela, embora se aposte em reversão de tendência a partir deste mês, afetaram o cenário econômico de otimismo.
Para os especialistas da Lloyds Asset Management (LAM), a trajetória das taxas de juros pode ser momentaneamente interrompida, mas é descrescente e pode aterrissar a 15% na virada do ano. Uma decisão de investimento, contudo, não deve levar em conta apenas os fatores internos positivos. A análise deve partir primeiramente do cenário externo, porque o País tem baixa taxa de poupança interna e, como dependente de capital estrangeiro, permanece bastante exposto a solavancos internacionais. A melhora do País pode não ser suficiente para suportar uma alteração no quadro externo, comenta o diretor-presidente da LAM, Walter Brasil Mundell.
Um dos focos de preocupação são os juros e as ações nos EUA, onde o Federal Reserve (Fed, o banco central de lá) pode elevar os juros ainda este ano, ainda que os dados sobre desemprego divulgados na sexta-feira tenham fortalecido a idéia de estabilidade de juros. O diretor de Estratégias de Investimento da LAM, Paulo de Sá Pereira, comenta também que o mercado de ações voltou a manter correlação com o Nasdaq, a bolsa eletrônica dos EUA.
A crise econômica na Argentina também deve ser acompanha pelo investidor, embora a expectativa seja que a situação permaneça sob controle no país vizinho nos próximos seis meses. O temor, segundo a análise, é que, se a deterioração econômica levar à ruptura da conversibilidade, a Argentina não escaparia da moratória, porque os bancos internacionais estão carregados de papéis argentinos.
As incertezas com a tendência da inflação são um fator adicional de dificuldade para a escolha de investimento nesta virada de setembro. Afinal, quem investe em aplicação de renda fixa, remunerada por taxas de juro, vem amargando dois meses seguidos de rendimento negativo, abaixo da inflação.
O momento, de todo modo, é um reforço à idéia de diversificação dos investimentos, em busca de uma rentabilidade mais atraente, principalmente para o investidor desapontado com o persistente declínio das taxas de juros. Além da diversificação, a corrida atrás de rendimento mais interessante passa também pela ampliação dos prazos de investimento. Entre outros motivos porque o aumento do prazo dilui o risco que necessariamente se corre quando se pretende uma rentabilidade mais interessante.


