Estar na condição de inadimplente é desagradável, mas o consumidor que está em atraso não pode desesperar-se. Como há muita gente enfrentando idêntica dificuldade, existe uma firme disposição do mercado para renegociar as dívidas, seja no comércio, nos bancos, seja nas administradoras de cartão de crédito. Afinal, é melhor para o credor reescalonar o prazo dos financiamentos e até reduzir os juros do que não receber nada.
A diretora do Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon, Vera Marta Junqueira, recomenda que o consumidor tente a renegociação assim que tiver algum problema financeiro. ‘‘Mas é preciso tentar equacionar o problema dentro de suas reais possibilidades de pagamento’’, adverte ela.
O presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, Antônio Corrêa de Lacerda, faz a mesma advertência: é preciso dimensionar exatamente qual a capacidade de pagamento, para saber quanto se pode pagar sem que ocorra comprometimento de todo o orçamento.
Uma das grandes vantagens da estabilidade econômica, destaca Vera, é a possibilidade de a pessoa programar seu orçamento. É possível planejar com mais clareza as despesas e receitas por prazos mais dilatados.
Para quem entrou no limite do cheque especial e enfrenta dificuldades para pagar a dívida, o ideal é tentar um empréstimo numa linha de crédito pessoal. O motivo é simples: enquanto no cheque especial os juros atingem até 13,8% ao mês, no crédito pessoal as taxas médias ficam entre 6% e 7% ao mês. Agindo desse modo, o inadimplente consegue pelo menos que a dívida seja corrigida por um índice menos pesado. ‘‘Só se deve entrar no cheque especial em emergência, e por períodos curtos’’, explica a diretora do Procon.
Os juros cobrados no sistema rotativo do cartão de crédito (entre 6% e 12,1% ao mês) também desaconselham o uso dessa opção de financiamento.
Para evitar a repetição dessa situação de insolvência, Lacerda orienta o consumidor a evitar as compras a prazo. Segundo ele, as taxas de juro devem continuar elevadas. ‘‘Ser devedor em época de juros altos é péssimo negócio.’’ O economista insiste em que é melhor adiar a compra, poupar e adquirir o bem à vista no futuro. Desse modo, a pessoa desembolsa uma quantia bem menor do que se recorrer a financiamentos.

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